Empresa de SC conquista país com uso de contêiner para habitação sustentável

Uma empresa de Santa Catarina tem conquistado o Brasil com o uso de contêineres para habitações sustentáveis. A ideia da arquiteta Livia Ferraro que, de início, fazia muitos torcerem o nariz para a possibilidade de residir, ou pior, de se confinar em “latas de sardinhas”, vingou na forma de mais de 100 projetos já realizados pela Ferraro Habitat, incluindo um resort de luxo na Península de Marau, na Bahia, este em implantação.
De Navegantes, partiram nada menos que 50 contêineres preparados para a montagem do empreendimento. As possibilidades de uso vão de residências e escritórios a hospedarias, bares e restaurantes.
O projeto
Ainda nos tempos de universidade, a futura arquiteta Livia Ferraro estava decidida a desenvolver um projeto que fosse para além do simples Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e que disso resultasse um empreendimento de vida.

A ideia consistia em criar um modelo de produção arquitetônica sustentável e limpa por meio do uso de contêineres marítimos como matéria-prima.

Graduou-se em Arquitetura pela Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc), montou a sua própria casa-contêiner, que ainda está lá no Canto dos Araçás, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, fez um protótipo para uma feira de design na capital catarinense e hoje, passados nove anos, é uma bem-sucedida referência nacional.
“São como peças de Lego, montadas de acordo com o projeto e o sonho das pessoas”, sintetiza Livia, hoje 34 anos e dona de um escritório que é precursor em soluções de arquitetura modular e que também desenvolve outros sistemas construtivos.
A referência ao Lego não é eufemismo. A utilização se vale de contêineres de 20 pés e 40 pés, sendo os modelos Reefer, usado no transporte de cargas refrigeradas com isolamento de alta eficiência, e o Dry, de aço cortain e que recebe o devido isolamento para garantir a mesma eficiência térmica, mas que podem ser montados, sobrepostos e até cortados. A empresa se encarrega dos projetos arquitetônico, elétrico, hidráulico, levando os módulos já prontos ao terreno com esquadrias, revestimentos, louças, metais e, se for o caso, todo o mobiliário.
Vantagens dos contêineres
Uma dúvida corrente, mas já superada, é quanto à durabilidade. Imagine que estamos falando de contêineres já dispensados após uma década de uso em transportes de longo curso e sob as condições mais adversas.

“E por isso são muito resistentes e, com a devida manutenção como de qualquer outra residência, podem durar gerações”, explica a arquiteta.

O trunfo está justamente na limpeza, rapidez da obra e previsibilidade do custo. Comparado ao sistema de construção em alvenaria, o desperdício de material, e que impacta no custo, é de 30%. Com os contêineres ele cai para 3%. Em relação ao tempo de implantação, a relação é de 6 meses para dois meses, no caso a favor dos modulares.

O modelo já deixou de ser uma solução apenas para os “descolados” preocupados em com a questão da sustentabilidade. É economia e que impacta no retorno do investimento. Um projeto dessa natureza incorpora com muito mais resolutividade sistemas de aproveitamento de água pluvial, coberturas e fachadas verdes e painéis fotovoltaicos, que transformam a energia solar em enérgica elétrica.

Economia colaborativa
Livia levou a concepção modular para dentro do seu negócio. A Ferraro Habitat não é um escritório usual e opera dentro de um modelo de economia colaborativa. A sede é um coworking instalado na Avenida das Rendeiras, na inspiradora Lagoa da Conceição, onde convivem sete empresas parcerias das áreas de arquitetura, web design e tecnologia. Recorrentemente compartilham projetos e ideias. Na órbita de Livia estão outros cinco arquitetos, uma paisagista e outros 25 fornecedores.
“Assim todos remam juntos e forte, otimizando custos e com um ganho maior”, completa a arquiteta, adiantando que a adoção dessa filosofia foi fundamental para o negócio atravessar o momento de adversidade econômica que paira sobre o país, especialmente no ramo da construção civil.

Foi desse ambiente de parcerias que a Habitat abriu caminhos para dois novos empreendimentos em curso. Um deles surgiu com a autorização para a implantação em Florianópolis de parklets, que são estruturas feitas para utilização em áreas de convívio e lazer no lugar de vagas de estacionamento nas vias públicas. A proposta é produzir parklets com contêineres. Em outra frente, a empresa investe um empreendimento próprio para locação também em sistema modular.

“É uma forma de investir em um patrimônio, mas com renda recorrente. O pouco que você dispõe tem que ser usado com sabedoria, fazendo o dinheiro trabalhar ao teu favor”, sugere Livia, que até hoje não se desapega das inquietudes dos tempos de faculdade: “é na universidade que você deve pensar, ousar e experimentar suas ideias para construir um negócio”.

lio_3575

Fonte: G1

%d blogueiros gostam disto: