Familiar de detento fala sobre a vida na UPA

Imagem Ilustrativa

Após a tentativa de rebelião que aconteceu na madrugada dos dia 6 na Unidade Prisional Avançada (UPA) de Videira, cerca de 46 detentos foram transferidos para outras unidades do estado e isso gerou insatisfação dos familiares.

No decorrer do sábado, 06, cerca de 46 detentos foram transferidos após a rebelião para  Concórdia, Chapecó, Xanxerê, Campos Novos, Itajaí Blumenau e Curitibanos. As transferências se darão pelo período de 30 dias, depois disso, a maior parte dos detentos deverão retornar a Videira. As visitas também estariam suspensas por 30 dias para os detentos que permanecem na Unidade de Videira.

Uma manifestação foi realizada na manhã da última terça-feira, 09, em frente à Unidade Prisional Avançada. Com cartazes, apitos e gritando “Fora Dario”, eles reivindicaram algumas mudanças.

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Uma questão levantada pelo grupo seria que os detentos estariam sofrendo maus tratos, além da falta de água e energia elétrica nas celas depois da tentativa de rebelião.

Outra reivindicação seria a suspensão das revistas intimas nas mulheres que fazem visitas aos detentos. Ainda segundo o grupo a alimentação também estaria precária, sendo que comida estragada estaria sendo oferecida, além de algumas bandejas serem mexidas com varetas de madeira. O grupo ainda destaca que os detentos transferidos estariam machucados.

Segundo o diretor da UPA de Videira, Dario de Souza, em entrevista concedida as rádio locais, uma comissão formada por familiares e integrantes da OAB foi recebida por ele para conversar e analisar as reivindicações.

“Tivemos uma manifestação formada por alguns familiares de detentos. Eu recebi uma comissão formada por familiares e integrantes da OAB e nós conversamos sobre alguns tópicos  que eles querem reivindicar. Algumas coisas merecem ser analisadas e outras coisas não tem cabimento. O que cabe ser analisado nós iremos analisar e algumas reivindicações não tem como atender , sendo que já de pronto me manifestei no sentido de não atender porque o que diz respeito aos procedimentos de segurança não há como não ser feito. Uma das reivindicações é da revista intima e eles não querem passar, mas isso é procedimento de segurança, é obrigatório e não vai deixar de ser feito isso jamais” afirmou Dario.

Uma das afirmações dos manifestantes seria a alimentação estragada que estaria sendo oferecida aos detentos. Dario afirma que essa informação não procede e que a comida oferecida aos detentos é a mesma dos funcionários da UPA.

“Sobre alimentação eles alegam que a alimentação servida seria estragada, comida podre, mas isso não condiz com a verdade. A alimentação recebida está em perfeitas condições, é bem acondicionada, bem preparada e inclusive a mesma alimentação recebida pelos detentos é a recebida pelas pessoas que trabalham aqui na Unidade Prisional. Eles tem no cardápio frutas, pão, um cardápio bem variado” destaca.

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Sobre as transferências, Dario afirmou que algumas são provisórias, e que após as reformas das celas danificadas no motim os detentos voltarão para Videira, porém alguns permanecerão em outras unidades.

“Em principio as transferências foram provisórias pelo período de trinta dias. Nós vamos precisar fazer uma reforma, sendo que não temos como receber os detentos aqui antes disso. As celas estão sem condições de uso, as portas estão danificadas, camas quebradas, enfim, não tem condições de alocar nenhum detento. O retorno deles está prevista para 30 dias, mas como precisamos passar por essa reforma esse prazo seja prorrogado. Os valores para realização dessa reforma em primeiro momento nós iremos buscar nos conselhos das comunidades de Videira e Fraiburgo porque se formos buscar no estado é mais demorado e burocrático e ai a obra não sai rápido. A grande maioria dos detentos transferidos irá retornar para a UPA de Videira, mas alguns detentos deverão ficar afastados” enfatiza Dario.

Outra informação repassada pelos familiares dos detentos que realizaram a manifestação seria de que alguns estariam machucados por terem sido agredidos dentro do presídio. O diretor Dario de Souza salienta que todos os detentos passaram por exame de corpo delito e nenhum sofreu agressões.

“Não houve agressão em nenhum detento, a operação que nós fizemos logo em seguida ao motim foi feita da forma mais técnica possível na presença do DEAP e da Polícia Militar, não houve agressão por parte de nenhum servidor, sendo que todos os detentos que foram transferidos estão passando pelo exame de corpo delito e os detentos que ficaram na UPA de Videira já foram submetidos a esse exame” pontua o diretor.

Em relação as fugas ocorridas nos últimos meses, Dario destacou que houve falha nos procedimentos de segurança e que os envolvidos serão punidos.

“Nós temos que dar prosseguimento nos procedimentos de segurança, sendo que as fugas que ocorreram houve falha nesses procedimentos, inclusive a corregedoria já esteve aqui ouvindo os envolvidos e alguns serão possivelmente penalizados . Houve falha na segurança e nós temos que evitar essas falhas” informou o diretor Dario de Souza em entrevista concedida as rádios locais.

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Uma familiar de um dos detentos, que prefere não se identificar por medo de sofrer represálias, concedeu entrevista ao jornal folha e contou como é a vida dos detentos na UPA de Videira.

Segundo ela a maior reivindicação dos familiares é a revista intima. De acordo com ela o procedimento é muito constrangedor.

“Nós temos que tirar a roupa toda, ficar pela na frente do espelho e é muito constrangedor. Depois de fazer essa revista da gente pelado ali fora, eles ainda revistam nossos familiares lá dentro e eles também tem que ficar pelados” destacou.

Ela informou durante a entrevista que a comida que os detentos recebem não é a mesma que dos funcionários da Upa.

“A comida que falam que é mil e uma maravilhas nós sabemos que não é. As vezes quando a gente vai na hora da visita a gente sente um cheirinho bom de comida e eu até comentei com meu parente que cheirinho bom, mas ele me disse que era da comida que os funcionários recebem. A comida deles é arroz, feijão e uns legumes refogado. Eles passam com as marmitas as 11:00, mas eles só vão receber a comida as 16:00” comentou.

Ainda segundo a entrevistada os detentos ficam sem água e luz em diversos momentos do dia.

“A água deles é cortada, às vezes eles tem que tomar banho com água que eles guardam em garrafinhas. A luz também é cortada as 20:00, fica todo mundo no escuro. Quando eles vão tomar banho é na água fria. Cada vez que eles vão no banheiro fazer as necessidades eles tem que tomar banho, isso quando tem água, porque eles não tem papel higiênico lá” explicou.

A mulher destaca que entende que os procedimentos de segurança são admissíveis até certo ponto, porém ela acredita que os bons estão pagando pelos maus.

“Nós sabemos que antes dessa revista pessoal ser implantada entrava muita coisa errada dentro do presídio, como drogas, daí eles implantaram essa revista intima. Mas daí os certos pagam pelos errados. A gente entende por um lado que é o normal mas eu vejo assim, eles estão lá e já estão pagando. Nós sabemos que dessa rebelião tem muitos que não estavam envolvidos e acabaram sendo colocados no rolo e transferidos” destacou.

Ela comenta que se sente muito triste por ver a situação que o familiar passa e destaca que por mais que ela saiba que ele em algum momento errou, isso não faz com que os detentos deixem de ser humanos.

“O minutinho que a gente tem com os nossos parentes que estão lá vale ouro. Por mais que eles estejam errados, mas é parente, é um ser humano.  Quando a gente entra pra fazer a revista a gente chora, passou da porta pra dentro a gente enxuga as lagrimas, bota um sorriso no rosto pra chegar até neles com força. Na hora de dar tchau a gente olha e muitas vezes vê os parentes da gente chorando. A gente baixa a cabeça e sai chorando também” finaliza.

Com a transferência das 46 pessoas, a UPA de Videira conta com cerca de 100 pessoas detidas. A capacidade da UPA de Videira é para atender aproximadamente 70 detentos.

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