19% dos empregados foram contratados por intermediários

Uma pesquisa divulgada na quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que, em 2015, havia no Brasil 9,8 milhões de empregados no setor privado que foram contratados de forma indireta. Este número corresponde a 18,9% do total de 51,7 milhões de empregados no país naquele ano – incluindo os trabalhadores domésticos.

Dentre os trabalhadores contratados de forma intermediária, 64,7% tiveram intermédio de pessoa física, enquanto para 30,4% a intermediação foi feita por empresas intermediárias. O IBGE destacou que a forma intermediária de contratação não configura terceirização trabalhista.

Salário, benefícios e satisfação com o trabalho

A pesquisa mostrou ainda que do total de empregados do setor privado do país, 205 mil não recebiam remuneração. O IBGE considerou que a maioria destes eram de familiares dos donos das empresas que, apesar do vínculo trabalhista, não recebiam salário direto.

Além disso, o levantamento apontou que 58,6% dos empregados do setor privado não recebiam nenhum tipo de auxílio alimentação e 51% não recebiam nenhum outro tipo de benefício. Já 62,7% disseram receber algum tipo de capacitação profissional por parte do empregador e 85,2% consideravam ter flexibilidade no horário de trabalho.

Ainda segundo a pesquisa, 60,1% dos 51,7 milhões de trabalhadores do setor privado se disseram satisfeitos ou muito satisfeitos com relação ao nível do salário e gratificações trabalhistas. O IBGE destacou que os mais satisfeitos eram homens, brancos e com mais de 50 anos de idade.

Dívida com empregador impede 1,5 milhão de pessoas de sair do emprego

Segundo o IBGE, se considerados os trabalhadores contratados de forma intermediária – que não tinham vínculo direto com o empregador – chegava a 4,3% o total de empregados que não conseguiam se desligar do emprego por conta de dívidas com a empresa.

O levantamento mostrou que 948 mil trabalhadores tinham débito relacionado à alimentação, 774 mil com transporte, 373 mil com instrumentos de trabalho, 266 mil com aluguel e 156 mil possuía algum outro tipo de dívida.

O levantamento do IBGE faz parte de um suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) que buscou quantificar os indicadores de trabalho decente no país. A pesquisa foi feita em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) que considera como trabalho decente, entre outros fatores, aquele que esteja associado à proteção social.

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