Sobe o tom

O vice-governador Eduardo Pinho Moreira concedeu uma das melhores entrevistas dos últimos tempos ao colega Moacir Pereira. A conversa foi publicada na edição de fim de semana do Diário Catarinense.

Contundente, Pinho Moreira manda diversas mensagens. A mais direta e aguda foi para o senador Dário Berger, que não consta na lista do vice para possíveis cabeças de chapa em 2018 pelo PMDB. Valeu-se de um argumento palatável, interessante e bem posicionado politicamente. “O PMDB concedeu um mandato de senador que ele (Dário) tem que cumprir”, decretou Moreira, frisando que o partido tem três pré-candidatos: ele, Mauro Mariani e Udo Döhler.

Pelo contexto em que se apresenta como opção, Moreira sinaliza claramente que seu nome internamente é o do prefeito de Joinville. Ele se posiciona para abrir mão, lá na frente, a Udo Döhler.

O vice-governador também se valeu de argumentos consistentes para cravar que o PMDB encabeçará uma chapa. É definitivo. O arremate foi a sugestão no sentido de manter a atual tríplice aliança, que comanda o Estado desde 2003.

Como maior partido de Santa Catarina, o PMDB, acrescenta Eduardo Moreira, não poderá abrir mão de candidatura ao governo pela terceira vez consecutiva. Já praticou o gesto em favor de Raimundo Colombo em 2010 e 2014. Sem dúvida, são colocações lógicas e pertinentes.

Inédito

Nunca antes na história de Santa Catarina um mesmo grupo político havia permanecido no poder por 16 anos ou quatro mandatos. Foi o que conseguiu Luiz Henrique da Silveira com sua tríplice aliança. Até a eleição de LHS, em 2002, apenas um governador fez o sucessor em pleito direto, considerando mais de seis décadas: Irineu Bornhausen, que elegeu Jorge Lacerda. Celso Ramos fez o correligionário Ivo Silveira, mas seu candidato preferencial na convenção do PSD foi o professor Alcides Abreu.

Agregando

Na entrevista a Moacir Pereira, Eduardo Moreira agiu com a cabeça. Fez como faria o falecido LHS, deixando o fígado de lado. Olhou pragmaticamente para o futuro.

Descolamento

Também chamou a atenção o fato do vice-governador relembrar o episódio de 2010, quando Michel Temer e cia pediram sua expulsão do partido. Naquele ano, o catarinense apoiou José Serra enquanto o PMDB indicava Temer como vice de Dilma Rousesff.

Diante do desgaste do PMDB nacional, Eduardo Moreira aposta no descolamento da secção catarinense, que seria uma ilha de bem-estar político.

Estratégia

Eduardo Moreira elogiou Udo Döhler. Além de deixar claro que o prefeito é seu candidato, ele também transparece que a estratégia é encurralar Mauro Mariani. Dário Berger, como se sabe há muito tempo, não terá vez no PMDB.

Paulada

Foi um soco no estômago de Temer e alguns de seus aliados a entrevista de Moreira. O vice-governador afirmou que Rodrigo Maia reúne as condições para a transição até 2018, sugerindo que Temer irá para a degola.

Enquanto isso

Em roteiro no Sul, o pré-candidato do PSD ao governo, Gelson Merisio, voltou a alfinetar o PMDB. Um pouco menos incisivo, declarou que o Manda Brasa terá que buscar outra aliança, deixando transparecer que já teria encaminhado um grande acordo com PP, PDT, PSB, Solidariedade e PROS. Quanto ao PSDB, muitos afagos, mas a leitura indiciaria uma chapa pura do tucanato. Ao fim e ao cabo, o momento é de jogar pôquer à mesa do xadrez político. No frigir dos ovos, tudo é possível, inclusive a reedição do casamento entre PSD e PMDB, atraindo a reboque outras legendas.

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