Aprovação e médias de escolas com tempo integral são superiores às de turno único

Enquanto as taxas de aprovação chegaram a 88% nas turmas de ensino integral, foram de 76% nas de ensino regular, na rede estadual em SC

Na retomada da segunda etapa do ano letivo, que começou na semana passada, as turmas do ensino médio em tempo integral da rede estadual trazem boas notícias. Em levantamento preliminar feito pelo Instituto Ayrton Senna nas 15 escolas do programa, os níveis de aprovação e aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática são superiores às escolas com turmas de ensino médio regular avaliadas.

Os dados ainda estão distantes de ser uma análise de impacto da nova modalidade, que estreou em fevereiro como forma de tornar essa etapa mais atrativa, mas são os primeiros indicadores.

O levantamento do Instituto Ayrton Senna – que presta consultoria e capacitação aos professores do Estado, ao lado do Instituto Natura – foi feito com base no desempenho das escolas no primeiro bimestre e divulgado a gestores escolares em encontro de capacitação no mês passado, na Capital. A performance das turmas de 1º ano do ensino médio das 15 escolas com tempo integral foi comparada com a de 92 do ensino regular.

Enquanto as taxas de aprovação chegaram a 88% nas turmas de ensino integral, foram de 76% nas de ensino regular. No desempenho de aprendizagem em Matemática, por exemplo, alunos do integral tiveram nota média de 7,3, contra 6,5 das demais escolas – índice 12% superior. Já em Língua Portuguesa e Literatura, a média de 7,3 das turmas do integral representam 9% a mais do que os 6,7 do ensino regular.

Essas áreas do conhecimento estão entre as mais cobradas em outros importantes indicadores educacionais, como Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) e Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Gerente de Projetos do Instituto Ayrton Senna, Helton Souto Lima atribui o bom desempenho nas disciplinas ao ambiente estimulante e participativo da nova modalidade. O novo sistema conta com 45 horas de aulas semanais, divisão de disciplinas por áreas do conhecimento (Matemática, Linguagens, Ciências Humanas e Ciências da Natureza) e projetos de vida, trabalhos interdisciplinares, professores exclusivos da escola e tempo reservado para planejamento conjunto das atividades.

Há também o estímulo ao desenvolvimento das chamadas competências socioemocionais – como criatividade, cooperação, resiliência e protagonismo do jovem.

O planejamento integrado tem possibilitado aos alunos um apoio no aprendizado que não fique só na mão do professor de Matemática, por exemplo. Os outros professores apoiam quando estão envolvidos na mesma área do conhecimento. Os alunos também trabalham em times, uns aprendem com os outros e fomentam o trabalho colaborativo – afirma Lima.

Para Secretaria, resultado era esperado

Adecir Pozzer, da Coordenação de Currículo, Avaliação e Formação da Diretoria de Gestão da Rede Estadual, acrescenta que a carga horária ampliada também favoreceu o reforço no conteúdo. Enquanto alunos do ensino regular têm quatro aulas semanais de Português e Matemática, os do integral têm sete.

Os professores do integral receberam formação específica, há uma metodologia que trabalha numa perspectiva única, de engajamento. Então, isso fortalece todo o trabalho do professor do integral, que é exclusivo da escola e tem mais tempo para o planejamento das aulas.

Na avaliação de Pozzer, a tendência é melhorar os índices até o fim do ano, porque as coordenadorias pedagógicas vão focar em pontos de atenção identificados. Os dados do segundo bimestre ainda estão em análise, que deve ser concluída em setembro.

Avaliação será aplicada em 2018

Os indicadores compilados pelo Instituto Ayrton Senna servem apenas para monitoramento de notas e frequências das escolas participantes, segundo Lima, e não são avaliação completa de impacto da iniciativa, que só deve ocorrer no próximo ano.

Segundo a Secretaria de Estado da Educação, a ideia era aplicar provas e questionários a turmas do ensino integral e de escolas com ensino regular, no início do ano letivo e no final, para avaliar aspectos como aprendizagem, evasão e frequência.

Mas problemas no processo licitatório para contratação de consultoria externa atrasaram o trabalho, o que tornou inviável aplicar apenas no final do ano. Como outras 15 escolas devem aderir ao formato a partir de 2018, a intenção é aplicar a avaliação às 30 unidades.

Relação prévia do Ministério da Educação indicou 150 escolas estaduais de SC com potencial para receber o programa, após análise socioeconômica dos alunos, infraestrutura e localização. A secretaria avalia agora com cada unidade se há intenção em participar do processo. A lista com as 15 novas escolas deve ser divulgada em 25 de agosto pela secretaria.

Infraestrutura ainda é barreira

Desde o início do ano, o que mais preocupou nas 15 escolas participantes do ensino médio em tempo integral era a necessidade de adequar a infraestrutura das escolas. Falta de espaços de descanso durante os intervalos e de internet banda larga, por exemplo, foram alguns dos fatores apontados pela direção das unidades ao Diário Catarinense um mês após o início das aulas.

A Secretaria de Estado da Educação afirma já ter resolvido o problema de internet, com a instalação de banda larga num total de 99 escolas. Os demais problemas de infraestrutura têm sido resolvidos gradativamente.

Um dos pontos que Adecir Pozzer acredita ser necessário melhorar é o processo de repasse de recursos do MEC às escolas participantes para melhoria de infraestrutura e materiais. O ministério destina cerca de R$ 2 mil por ano por aluno. Mas a verba é repassada à secretaria, não diretamente às escolas, e é necessário fazer licitação, com certa demora para serviços urgentes, devido aos trâmites legais.

Para agilizar, a secretaria tem ampliado a cifra repassada às escolas participantes por meio do Cartão de Pagamento do Estado de SC, para cobrir despesas emergenciais de pequeno valor.

%d blogueiros gostam disto: