Homens recebem 36,7% a mais que as mulheres em Santa Catarina, diz IBGE

No Estado, homens recebem cerca de R$ 2,5 mil e as mulheres ganham em média R$ 1,8 mil Foto: Betina Humeres / DC

Em 2016, trabalhadores do sexo masculino receberam por mês em Santa Catarina cerca de R$ 2,5 mil, enquanto as trabalhadoras ganharam, também em média mensal, R$ 1,8 mil. Ou seja, no Estado, os homens ganham 36,7% a mais  do que as mulheres. O percentual, divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), subiu em relação ao registrado em 2015 em outro levantamento do instituto. Na época, os dados do Cadastro Central de Empresas (Cempre) já apontavam disparidade de 23,6% no rendimento de homens e mulheres no Estado.

Nacionalmente, no entanto, a disparidade apontada na PNAD é menor, de 29,6%. Na avaliação do professor da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas, Antônio Carlos Pôrto Gonçalves, embora a diferença salarial ainda seja expressiva, a tendência é melhorar. Para ele, o cenário em Santa Catarina acompanha a realidade brasileira, apesar do percentual ligeiramente acima da média nacional.

Gonçalves ainda aponta que a participação feminina mais efetiva no mercado de trabalho ocorre há menos de um século e ainda não bastou para mudar a percepção do homem como provedor e da mulher como mera administradora do lar:

— O Brasil ainda é patriarcal, machista, sobretudo nas classes mais populares. Ela cuida dos filhos, é subordinada ao homem. Diria que, por isso, a remuneração menor. Essa construção cultural é típica do Brasil, pior até em alguns países, mas menos significativa nas nações mais desenvolvidas.

Diferença salarial entre brancos e pardos é de 40,1%

Ainda conforme os dados captados pela PNAD Contínua, que refletem o cenário vivido em 2016, em Santa Catarina a população branca recebeu, em média, 40,1% a mais do que a população autodeclarada parda. No Estado, enquanto o primeiro grupo ganhou cerca de R$ 2,3 mil, o segundo grupo tinha renda mensal de aproximadamente R$ 1,6 mil.

Apesar disso, a disparidade em Santa Catarina ainda é menor do que a média no Brasil, que é de 84% entre brancos e pardos. No Estado, pessoas autodeclaradas pardas recebem 19,1% menos do que os negros, que tem renda mensal, segundo a pesquisa, de aproximadamente R$ 2 mil.

Para o economista e cientista político Eduardo Guerini, essa diferença mostra que Santa Catarina “não é essa Suíça que os governantes tentam vender”. Guerini critica o fato de as propagandas do governo tentarem vender o Estado como uma “ilha de prosperidade”, enquanto a realidade mostra um aumento de desigualdade e informalidade.

Estado registra maior índice de pessoas com rendimentos mensais

Santa Catarina e Rio Grande do Sul se destacaram em um quesito na PNAD Contínua 2016: o percentual de pessoas com algum rendimento, ou seja, que recebem dinheiro mensalmente de alguma maneira. O índice nos dois Estados do Sul do Brasil ficou em 67,1% no fim do ano de 2016, enquanto a média nacional foi de 60,5%. Desse total, em Santa Catarina, pelo menos 48,6% recebiam salário e outros 24,2% tinham rendimentos que vinham de outras fontes, como aposentadoria, aluguel ou pensão alimentícia.

Segundo o economista Eduardo Guerini, embora aparentemente positivo, esse número esconde outro, o do aumento constante da informalidade do mercado de trabalho. Ele lembra que os trabalhadores com carteira assinada representam menos da metade da força total de trabalho.

— Temos uma desigualdade que está encalacrada em nossa sociedade. E infelizmente o que estamos vendo recentemente é um aumento da pobreza e da informalidade — afirma o especialista.

O levantamento do IBGE ainda aponta outros dados relacionados ao trabalho e ao rendimento da população, como a relação da escolaridade com a média salarial. Em Santa Catarina, um trabalhador com nível universitário ganha mais do que o dobro daquele que tem apenas o ensino médio. Conforme a PNAD Contínua, a diferença é de 107%, com salários médios de R$ 4.163 e R$ 2.011, respectivamente.

Já o rendimento médios dos trabalhadores que não têm nenhum tipo de instrução era de R$ 1,5 mil, cerca de 9,5% menor do que o de profissionais com o ensino médio completo, cujo média foi de R$ 1,7 mil.

Confira os números em SC e no Brasil

* Colaboraram Larissa Neumann e Roelton Maciel

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