Peças no tabuleiro

O desembarque iminente do PSDB do governo Michel Temer guarda relação direta com  quadro sucessório nacional. O presidente começa a processar o raciocínio de que o caminho natural do seu PMDB e do próprio governo seria candidatura própria ou o respaldo a alguém que faça parte da administração. Descartando, portanto, o apoio ao PSDB. No Rio Grande do Sul, iniciou-se um movimento para lançar o ex-senador Pedro Simon à Presidência da República. O gaúcho, contudo, tem idade avançada e não pode contar com o apoio do partido nacionalmente.

O nome que surge neste contexto é o do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, do PSD. Temer está com a popularidade na lona, absolutamente desgastado. O ministro, a seu turno, pode levar os louros da retomada econômica. Os números ainda são tímidos, mas vêm melhorando gradativamente. O xis do jogo todo é a geração de emprego. É bem lenta no momento. Os investidores mantém o freio de mão puxado, preocupado com as incertezas políticas.

Mesmo assim, Henrique  Meirelles surge como uma versão atual do FHC da década de 1990.

Desembarque

Geraldo Alckmin seria o nome natural para levar o apoio do governo federal. Mas na medida que os tucanos venham a desembarcar da nau temerista já no próximo sábado, durante a convenção em que o governador paulista será eleito presidente de consenso (tendo a duríssima missão de evitar a implosão do tucanato) e encaminhará o sonho de ser novamente o presidenciável do PSDB. Como ele próprio defende o desembarque dos tucanos, certamente não canalizará o apoio do Planalto ao projeto eleitoral.

Reflexos em SC

Raimundo Colombo é correligionário de Meirelles, que pode ter o apoio de Michel Temer e do PDMB. Evidentemente que um cenário destes traria reflexos nas composições eleitorais em Santa Catarina.

Incógnitas

O PMDB local tem como candidato natural ao governo o deputado federal Mauro Mariani, embora ele tenha votado contra o presidente e correligionário na segunda denúncia de Janot. Os reflexos em solo catarinense levariam Gelson Merisio, pré-candidato do PSD a suceder Raimundo Colombo, a reavaliar a situação da aliança com o PMDB, reeditando a composição vitoriosa de 2014? Mesmo que ele e o próprio Mariani não desejem esse encaminhamento? A conferir!

Alternativas

Todas as pesquisas mostram polarização presidencial entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro. O que não se destaca é que nesta última do DataFolha, 62% ainda não tem preferência para a eleição nacional. É um tremendo espaço para ser ocupado por um nome de centro, a saber: Geraldo Alckmin, Alvaro Dias ou Henrique Meirelles.

Fora deles

Mauro Mariani começa a encorpar seu movimento para descolar da cúpula nacional do PMDB. Começou a articular um movimento sulista, unindo os três estados, em claro confronto aos caciques nordestinos e paulistas da legenda.

A ideia é marcar posição na convenção nacional do Manda Brasa, marcada pra o dia 19.

%d blogueiros gostam disto: