MDB dividido

Está correto o MDB em comemorar a ascensão do deputado Aldo Schneider à presidência da Alesc. Daqui a nove dias, Eduardo Moreira assumirá, interinamente, o governo do Estado pela décima sétima vez. O ato deverá marcar a posse, de fato (embora ainda não de direito), dele no poder central em Santa Catarina. Nos bastidores, Moreira já vem dando as cartas há algum tempo. Significa que o partido estará controlando dois dos três poderes estaduais. Motivos, realmente, para satisfação dos emedebistas.

Feitas as ressalvas festivas, vale lembrar que a sigla, a maior de Santa Catarina, está dividida. De um lado, o próprio Eduardo Moreira. Caso ele entre na disputa para ser o candidato do MDB ao governo, é muito provável que possa contar com o respaldo de Casildo Maldaner e de Paulo Afonso Vieira. Na outra ponta, encontra-se o presidente estadual do partido, deputado federal Mauro Mariani.

Correndo por fora estão Udo Döhler, cujo horizonte com vistas à candidatura ao governo é restrito a sete de abril, prazo fatal para sua renúncia à prefeitura de Joinville se quiser estar apto a participar do pleito; e o senador Dário Berger. Em silêncio, o ex-prefeito de Florianópolis vai comendo pelas beiradas. No frigir dos ovos, se não tiverem oportunidade de emplacar seus nomes, Dário e Udo ficarão em lados opostos. O senador com Mariani e o prefeito no grupo de Pinho Moreira. Configuraria uma disputa equilibrada nas fileiras do Manda Brasa. Pelo menos até a convenção homologatória. Historicamente, o MDB entra dividido em disputas, mas chega unido às urnas.

História

Em 1982, Jaison Tupy Barreto e Pedro Ivo Campos disputaram a indicação no MDB. Barreto levou a melhor e por muito pouco não se elegeu governador, tendo o partido unido em seu nome. Em 1986, novamente disputa interna. Pedro Ivo contra Luiz Henrique da Silveira. O primeiro levou a melhor e conquistou o governo com apoio irrestrito dos correligionários. Há outros exemplos para mostrar, como em recentes eleições pelo comando partidário, que o embate caseiro faz parte do DNA do MDB. Como também a união em torno do nome escolhido. A conferir se a história se repetirá em 2018!

Ônus e bônus

Eduardo Pinho Moreira, no leme da nau catarina, vai tentar turbinar seu nome e credenciar-se, em cinco meses (não contabilizado aqui o período de interinidade), a disputar a reeleição. Terá o bônus da caneta e da visibilidade que o cargo confere. Mas há o ônus também. Moreira vai pegar uma verdadeira bucha. Sob o aspecto financeiro, o caixa estadual já emite sinais de alerta há muito tempo.

Turbulências

Na Saúde, área das mais sensíveis, o emedebista terá pela frente a dívida bilionária do governo com o setor. A Segurança Pública está em xeque. E por aí vai. Engana-se quem pensa que Pinho Moreira irá ter céu de brigadeiro pela frente. Ele enfrentará muita ventania, turbulências e tempestades.

Placar

Dos 19 parlamentares federais de Santa Catarina, apenas cinco já se manifestaram favoráveis à Reforma da Previdência costurada pelo Planalto. São três tucanos (os dois senadores, Paulo Bauer e Dalirio Beber) e o deputado Marco Tebaldi; e dois deputados peemedebistas do Oeste, Celso Maldaner e Valdir Colatto. O MDB, partido do presidente, tem cinco federais e o senador Dário Berger. O resto é contra ou está indeciso em relação ao tema, ilustrando como é delicada a situação do governo sob a perspectiva da reforma.

Reforma e Fundam

O placar baixíssimo de Santa Catarina em favor da Reforma da Previdência pode ajudar a inviabilizar o Fundam 2, que tanta expectativa tem gerado junto a prefeitos e deputados estaduais. O partido do vice-governador e do presidente da República tem seis votos na bancada. Por ora, só dois estão garantidos a favor das mudanças no sistema previdenciário. No PSD, partido do governador, são três o assentos em Brasília. E, a principio, nenhum deles vai votar com o Planalto.

Influência baixa

Essa anemia toda em relação a tema tão caro ao governo federal pode até mesmo anular o fato de que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, é correligionário de Colombo. Assim como Michel Temer é do mesmo partido de Eduardo Moreira. O que poderia facilitar a liberação do Fundam 2.

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