Prisão polêmica

A prisão do deputado federal João Rodrigues, ontem de manhã, no Aeroporto de Guarulhos, seguirá rendendo polêmica por tempo indeterminado. Noves fora o fato de que a Polícia Federal teve que ir a Assunção para “escoltar” o parlamentar até São Paulo, onde ele foi efetivamente detido, o que deu contornos ainda mais cinematográficos à história, a detenção dele está gerando indignação e revolta entre aliados e correligionários.

Na outra ponta, está sendo comemorada por adversários, notadamente de esquerda que, neste caso, não só acreditam na culpa do condenado, na polícia e no Judiciário, como aplaudem o encarceramento de João Rodrigues.

A turma da canhota deve estar se esquecendo que o próximo a ser preso pode ser a entidade petista chamada Lula da Silva. Outros petistas já estão presos há muito tempo. Daí, é perseguição política, golpe, etc. Tudo lorota. A verdade é que, no vácuo da Lava Jato, da pressão popular, da crise e das redes sociais, o Judiciário está se vendo na obrigação de dar respostas. E vem dando, apesar de suas próprias incoerências, como no caso dos auxílios polpudos e imorais. Mas uma coisa não anula a outra. Simples assim.

Estranheza

Os amigos e aliados do parlamentar pessedista estão solidários a ele. E muito indignados. Principalmente porque o deputado foi condenado e agora preso, pena que cumprirá no regime semiaberto, pela compra de uma retroescavadeira há quase 20 anos! Quando ele estava no exercício do mandato de prefeito, pois foi eleito vice em Pinhalzinho. A pena é de cinco anos e três meses. Enquanto isso, há rombos bilionários em vários segmentos do poder público, delações, provas, réus confessos, um país esculhambado, e condenados fazendo campanha fora de época todo dia. Complicado.

Noite e dia

Por ora, as primeiras informações indicam que João Rodrigues dará expediente na Câmara durante o dia e à noite cumprirá a pena, recolhido ao cárcere.

Precedente

A defesa de Rodrigues entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) para assegurar o cumprimento de seu mandato parlamentar até dezembro deste ano, penúltimo ano da atual legislatura. A defesa quer garantir a ele o mesmo tratamento dado ao deputado presidiário Celso Jacob (MDB-RJ).

Solidariedade

Durante o dia de ontem, o colunista não captou qualquer sentimento ou articulação no sentido de enquadrar João Rodrigues partidariamente. Na Câmara, onde há o Conselho de Ética, deve ocorrer o mesmo. Até pelo precedente aberto no caso de Celso Jacob.

Roteiro

O deputado João Rodrigues mudou sua rota de retorno ao Brasil. Em vídeo gravado na noite de quarta-feira, ele avisou que não pousaria em Campinas – SP, e sim em Assunção, Capital do Paraguai, e que pretendia chegar de carro a Chapecó “para evitar constrangimento à família.” As autoridades entraram em ação e não permitiram a mudança de rota. O deputado foi preso na manhã de quinta-feira, 8, em Guarulhos. Policiais Federais foram espera-lo em Assunção, onde ele não foi autorizado a permanecer.

Contraponto

O deputado federal pessedista voltou a dizer que acredita na Justiça e que seus advogados vão reverter a situação. Ele também tem reiterado que, apesar da condenação em segunda instância, o caso da retroescavadeira de Pinhalzinho não gerou prejuízo financeiro ao erário municipal. E nem qualquer benefício pecuniário a ele.

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