Aliança quase no fim

Passado o impacto inicial da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra Raimundo Colombo, pela prática de Caixa 2 no âmbito da Lava Jato – agora o Judiciário irá analisar se aceita ou não o processo – já é possível vislumbrar que a possibilidade de renovação da aliança do PSD com o MDB está cada vez mais remota. Já há quem diga que ela foi, literalmente, para o espaço.

O governador licenciado não será mais o interlocutor dessa articulação. E a grande incógnita agora é saber até que ponto o MDB vai desejar aliar-se eleitoralmente para ter Colombo na chapa. E também porque o lageano perde a capacidade de articulação.

Por outro lado, Gelson Merisio, que teve o cunhado, ex-secretário da Fazenda, Antônio Gavazzoni, excluído da denúncia, sai fortalecido. Até os andarilhos da Praça XV sabem que Merisio atua fortemente para ficar bem longe da turma do Manda Brasa.

Com isso, deve ganhar corpo a costura para que a aliança seja PSD, PP, PSB com a melhora significativa de perspectivas da presença do PSDB na composição. Isolaria o MDB numa ponta e o PT na outra.

Renúncia

Ganha musculatura, ainda, a tese de que Colombo não deve renunciar. Primeiro pelo inconveniente que o MDB deve levar em consideração de tê-lo numa chapa. Sobretudo pelo aspecto da exploração eleitoral da denúncia, no contexto da Lava Jato. Segundo porque, se ficar no governo, o pessedista conseguirá manter o foro privilegiado até dezembro. Evitaria que o processo descesse já em abril para a guarda do juiz Sérgio Moro em Curitiba.

Solução Udo

Outro aspecto que precisa ser considerado. Raimundo Colombo vinha sendo o grande incentivador e articulador da vinda do prefeito de Joinville, Udo Döhler, para o jogo sucessório estadual. Como fica agora, a partir do enfraquecimento político de Colombo? Eduardo Moreira pode se animar e disputar internamente com Mauro Mariani a indicação no Manda Brasa. Ou seja, aquela hipótese de o governador em exercício abrir mão da candidatura em favor de Udo está, até segunda ordem, prejudicada.

Caixa 2

A Procuradoria Geral da República decidiu entrar com denúncia contra o governador licenciado Raimundo Colombo e contra o tesoureiro de campanha, José Carlos Oneda, também Diretor Financeiro da Celesc, pelo uso de caixa 2 na campanha de 2014 em Santa Catarina.

Oficialmente, não foi liberada nenhuma nota de Brasilia sobre o resultado do inquérito aberto no Superior Tribunal de Justiça. A notícia vazou na sexta-feira. Uma verdadeira bomba nos meios políticos catarinenses.

Comemoração

Defensores do governador e aliados, contudo, estão comemorando o fato de a PGR não ter apresentado denúncia por corrupção passiva, como queria a Polícia Federal. Mas o desgaste é inevitável, até porque a presidente do STF, Cármen Lúcia, já declarou que considera Caixa 2 como crime.

Fragilidade

Além da questão judicial e a exploração político-eleitoral de adversários na campanha contra Colombo, há outros agravantes para o governador. O Fundam 2, que não saiu e não vai sair nos moldes anunciados por Raimundo Colombo no ano passado, e suas reiteradas licenças, permitindo que o MDB tomasse conta do governo já em janeiro, de fato. Isso pegou muito mal nos meios políticos e sobretudo no PSD e entre aliados de Colombo.

Foro

Fica claro que essa saída salomônica de não renunciar, mas entregando o governo, visava exclusivamente preservar o foro privilegiado de Colombo. Hoje, a denúncia vai para o STJ. Se ele renunciar no dia 7 de abril, a peça descerá para as instâncias inferiores da Justiça que cuidam dos processos da Lava Jato (Curitiba e Porto Alegre).

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