Há 20 anos: relembre acidente aéreo que matou o dono da Busscar a quatro quilômetros do aeroporto de Joinville

Acidente com Harold Nielson causou comoção na região e permanece na memória dos joinvilenses que presenciaram o fato

Imagens da época mostram os destroços do avião bimotor Foto: Carlos Alberto da Silva / Agencia RBS

Era chuvosa a noite de 30 de outubro de 1998 quando o avião Piper Cheyenne, prefixo PT-WHI, que levava dois tripulantes e o empresário joinvilense Harold Nielson, dono da Busscar, colidiu contra a região montanhosa do Morro do Caju, entre as cidades de Garuva, São Francisco do Sul e Joinville. Hoje, passados exatos 20 anos, a tragédia ainda permanece na memória de quem a presenciou, a apenas quatro quilômetros do Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola, em Joinville.

Naquele dia, o avião de propriedade da Busscar — à época, uma das maiores fabricantes de ônibus da América Latina — era ocupado pelo presidente da companhia, Harold Nielson, de 60 anos, o piloto Paulo Duleba, 48, e o filho dele, Paulo Duleba Filho, 25, ambos mortos no acidente. Considerado um dos principais empresários joinvilenses da época, Harold fez história ao alçar o nome da empresa criada em Joinville a nível mundial, e sua morte junto das outras duas vítimas causou comoção entre os catarinenses.

O bimotor em que eles viajavam havia decolado do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, pouco depois das 18h30min de sexta-feira com destino à Joinville, mas a viagem foi interrompida cerca de duas horas mais tarde a uma pequena distância do aeroporto. O empresário estava na cidade carioca a negócios e retornava quando a queda aconteceu no Morro do Gibraltar, na localidade de Ponte da Cruz, defronte com a Praia do Vigorelli.

Resgate dos corpos causou divergências na época

Membro do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville (CBVJ) há mais de 30 anos, Valmor Emaliceski, de 63 anos, comandou a operação de resgate dos corpos das três vítimas do acidente aéreo na manhã cinzenta de 31 de outubro. Para ele, a data é lembrada como uma das mais marcantes da carreira, dada a dimensão da tragédia e a importância que o empresário representava para a cidade e a corporação.

— Harold era um homem que sempre ajudou muito os Bombeiros Voluntários de Joinville. Sempre tivemos o seu apoio, tanto que muitas das coisas que fizemos pelos bombeiros na época foram feitas dentro da Nielson. Então, essa foi uma das ocorrências principais (na história do CBVJ), porque naquele dia fizemos o resgate (do corpo) de um amigo da corporação e de Joinville — recorda.

A retirada das três vítimas do local do acidente aconteceu às 10h25min de sábado, pelo menos 14 horas depois do momento em que a explosão teria acontecido. A demora tem explicação. Valmor recorda que um dos bombeiros que estava junto do primeiro grupo de resgate chegou no local exato da queda após avistar o que seria uma espécie de “olho de gato” em meio a floresta.

Era o fogo que consumia o que sobrara do avião e os guiou até a chegada aos destroços. A retirada, no entanto, não foi feita de madrugada devido a um impasse com a Polícia Militar (PM), que impediu que a corporação agisse até que houvesse autorização da Aeronáutica, que viria representada por um grupo de Porto Alegre (RS). A autorização veio por telefone antes mesmo da chegada dessa equipe.

— Uma espera sem necessidade que acabou depois da ligação. Voltamos lá e fizemos todo o nosso trabalho sem interferência. Tanto naquela ocasião como depois, a instrução é de que nós podemos fazer de imediato o resgate dos corpos, desde que preservado o local. E foi o que fizemos — afirma.

Para ele, até hoje a cena permanece registrada em detalhes para quem acompanhou os trabalhos na mata. Entre as recordações está o fato de que eles enumeraram os corpos de acordo com a posição em que ocupavam na aeronave, o que facilitou posteriormente a identificação pelo Instituto Médico Legal (IML). Essa disposição foi possível porque os destroços não dispersaram, preservando as posições de piloto, co-piloto e passageiro.

 Sepultamento de Harold Nielson, proprietário da Busscar, que morreu em queda de avião, no Morro do Caju, em Garuva

Harold Nielson foi sepultado no Cemitério Municipal de Joinville, assim como o piloto, Paulo DulebaFoto: Carlos Alberto da Silva / Agencia RBS

A retirada deles se deu com barcos dos bombeiros, que atravessaram a Baía da Babitonga até a Praia da Vigorelli, numa operação que durou cerca de 50 minutos. No mesmo dia, Harold Nielson foi sepultado no Cemitério Municipal de Joinville, às 18h30min. Já no domingo, 1º de novembro, o piloto Paulo Duleba foi sepultado pela manhã no mesmo cemitério e seu filho, Paulo Duleba Filho, em Curitiba. Os restos do avião foram transportados de helicóptero com auxílio de puçá, uma rede em forma cônica, também até a praia do Vigorelli, e foi encaminhada para perícia.

Há 20 anos: Relembre o acidente aéreo que matou o dono da Busscar a quatro quilômetros do aeroporto de Joinville

Paulo Duleba Filho, 25 anos, e o pai, o piloto Paulo Duleba, 48 anos, também foram vítimas do acidenteFoto: Arquivo Histórico / Divulgação

Entenda como ocorreu o acidente

O avião:
Piper Cheyenne II prefixo PT-WHI, de fabricação norte-americana, com capacidade para dois tripulantes e cinco passageiros. Era composto por dois motores turboélice e atingia a velocidade de 450 km/h, podendo voar a nove mil metros de altura

Origem e destino do voo:
Origem: Aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro (RJ)
Destino: Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola, Joinville (SC)

Local da queda:
Morro Gibraltar, na região montanhosa do Morro do Caju, situada entre São Francisco do Sul, Joinville e Garuva. Ocorreu, aproximadamente, às 20h35 de 31 de outubro de 1998

Vítimas:
Harold Nielson, 60 anos (empresário)
Paulo Duleba, 48 anos (piloto)
Paulo Duleba Filho, 25 anos (tripulante)

Trajeto:
1 – Às 18h38, o avião decolou do Rio de Janeiro com destino à Joinville;
2- Às 20h34, o piloto comunicou que se aproximava da pista e iniciava o procedimento de pouso;
3- A manobra foi abortada e o piloto tentou arremeter (subir). A aeronave fez uma curva à direita;
4- Pela carta de aproximação do aeroporto na ocasião, no arremetimento a aeronave deveria fazer curva de 15 graus à direita e seguir em linha reta por 10 milhas buscando ganhar altitude. Depois, deveria reiniciar o procedimento de pouso;
5- A aeronave não ganhou altura e continuou na curva à direita;
6- O avião colidiu contra o morro, a 100m do nível do solo, e explodiu.

Fonte: A Notícia e Arquivo Histórico de Joinville

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