Escritor compõe poemas sobre Videira

Procurador Federal por profissão mas escritor por vocação, Sinval Santos da Silveira adotou a cidade de Videira como sua cidade natal.

Ele residiu aqui entre os anos de 1951 e 1952 quando era criança, juntamente com a sua família.

“Meu pai era, então, Sargento Rádio Telegrafista da Polícia Militar/SC  e, destacado, fomos morar em Videira. De volta  à Capital, concluí meus estudos na  UFSC, onde me formei  em Direito. Fiz o Curso de Criminologia, na Escola de  Polícia Civil/SC” conta Sinval.

Mesmo tendo passado pouco tempo em Videira, Sinval se apaixonou pela cidade e nunca a esqueceu. Após formado ele recebeu o convite para retornar para o município, mas questões particulares o impediram.

“ Fui convidado para assumir a Delegacia de Videira, por especial deferência de Octacílio Sahüler Sobrinho, então Diretor da Escola de Polícia Civil/SC. Isto em 1969/1970, pois sabia do grande amor que eu tenho por essa Cidade.Só não aceitei porque estava me preparando para o concurso de Procurador Federal, meu grande objetivo profissional. Fiz o concurso, fui aprovado em segundo lugar, em nível nacional e exerci minhas  funções no, então, D.N;E.R, hoje DNIT” conta.

Hoje Sinval está aposentado e é presidente do Grupo De Poetas Da Trindade, instituição sem fins lucrativos.

Para consagrar seu amor por Videira, Sinval escreveu dois poemas. Apesar do pouco tempo de estadia na cidade, ele afirma que tem boas recordações da Capital da Uva.

Confira os poemas que Sinval escreveu para Videira

EM CADA LETRA, UMA LÁGRIMA

Pôs-se a olhar Videira, a terra em que viveu.

Percorreu, pela derradeira vez,  as vielas em que

brincou.

Fitou, como quem fita um santo, cada portal e

ventana  das casas  que  conheceu.

As árvores pareciam lhe dizer Adeus e as flores,

mesmo fora da estação, exalaram perfumes.

Os passarinhos  gorjearam as notas que apreciava,

e o rio paralisou as corredeiras, em  sua homenagem.

Tudo em clima de despedida.

Já no trem, ouviu, pela última vez,  o tagarelar de

um pequeno sino,  avisando  que chegara a hora da

partida… e partiu.

Tudo ficou para trás.

Somente o desejo de retornar, viajou com aquele

menino.

Com os olhos rasos d´água, balbuciou palavras,

ditadas por um sentimento  de profunda dor.

“Até… não sei quando”.

E, em cada letra da despedida, uma lágrima nos

trilhos rolou.

 

DEZOITO  ANOS APÓS

Já independente, não saía da sua mente, a pequena

Cidade em que  viveu.

A saudade de tudo que  deixou, se  agigantava cada dia

que passava.

Seus amigos, vielas e a casa em que morou, quem  hoje

mora nela ?

Campos e riachos, o  Rio do Peixe, em que se banhou, pescou e

brincou,  será que não secou ?

Foi  abraçar cada amigo, falar de saudade, de amizade,

pedir desculpas por haver  morado  noutro lugar.

Mas o tempo passou e tudo transformou.

Não havia mais “meninos”…

Já não brincavam no rio, nem prestavam atenção nos

portais e nas ventanas, das lindas casas  plantadas

nas vielas de Videira.

O canto da passarada, tão lindo, somente por  ele

foi ouvido.

 O trem mudou de rumo, em obediência aos trilhos,

e  o  pequeno sino tagarela,  emudeceu.

Foi à Casa do seu Santo Protetor  que, também,

chorou…

Sentiu-se um doce assassino,  não ouviu mais o

sino, mas a saudade matou !

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