Bolsonaro e Moisés

O governador eleito, Carlos Moisés, tinha agenda reservada, ontem, em Brasília, com o correligionário e presidente agora diplomado, Jair Bolsonaro. Uma oportunidade de ouro para se iniciar um processo de aproximação, conhecimento e quem sabe, sintonia entre os dois.

Eles são correligionários, mas praticamente não se conhecem. Não são íntimos. O catarinense levou à Capital Federal um raio-x das finanças estaduais, que não são nada boas, e também os principais aspectos da reforma administrativa, com o viés de enxugamento da máquina, que Moisés pretende implantar a partir do ano que vem.

Que desse encontro entre os dois nasça um agenda conjunta de interesses de SC e do Brasil, como uma via de mão dupla.

Muito bem.  Está corretíssimo o governador em buscar essa abertura junto ao presidente eleito, estratégia que deveria ser adotada também aqui na província.

Distância

Carlos Moisés ainda quase não interagiu com os deputados eleitos de outras legendas que não sejam do PSL. E com os do próprio partido, os contatos são superficiais. Importante lembrar que o pesselista precisará do Parlamento estadual para aprovar não só a reforma administrativa no começo de 2019 como também outros projetos estratégicos e de interesse do Executivo estadual.

Primeiro passo

Vale registrar que o governador eleito deu um primeiro passo nessa direção na terça-feira à tarde. Ele reuniu-se, a portas fechadas, com o atual presidente da Alesc, Silvio Dreveck, que não se reelegeu. As rodadas de Moisés com os parlamentares eleitos devem ocorrer na semana que vem, praticamente encerrando as agendas antes das festas de fim ano.

Alô, alô

Ao que tudo indica, o futuro governo de Santa Catarina não está atento à pauta de fim de ano na Assembleia Legislativa.

Alguns jabutis, especialmente na área da Saúde, já subiram na árvore e podem tornar-se monstros marinhos para a próxima gestão administrar ou resolver!

Primeiro controlador                                                                                          

Coordenador da equipe de transição no governo estadual, o professor Luiz Felipe Ferreira será o titular da futura Controladoria-Geral do Estado (CGE). Mestre e doutor pela UFSC na área de Ciências Contábeis, ele será o primeiro a pilotar a pasta, que terá status de secretaria.

No seio do governo, a CGE vem sendo gestada desde o início do processo de transição. A estrutura deve ficar ligada diretamente ao gabinete do governador.

Fina sintonia

Ferreira terá a missão de manter contato permanente com Carlos Moisés no acompanhamento de todas as ações da administração que se inicia em janeiro. O formato final da CGE deve estar pronto até o fim do ano para entrar no pacote de reforma administrativa que o governador eleito, Carlos Moisés, enviará à Assembleia Legislativa no começo de 2019.

Time

Jair Bolsonaro terá nove técnicos, seis militares e sete políticos em seu colegiado de 22 ministros. Dentre os políticos, nenhum senador foi guindado à esplanada, fato que não acontecia desde a redemocratização do país. Dos 15 ministérios prometidos em campanha, o presidente eleito começará a governar com 22. Considerando-se que Dilma Rousseff chegou a ter 39 ministros, Bolsonaro está reduzindo a estrutura quase pela metade.

Ocaso

De dono de quase 52 milhões de votos em 2014, com potencial para ter sido o bola da vez em 2018, o senador e deputado federal eleito Aécio Neves segue ladeira abaixo. Ontem, agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis dele e de sua irmã, Andréa Neves, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. É mais uma péssima notícia que envolve aquele que, não faz muito, era o grão-tucano. A seguir nessa batida, o neto de Tancredo pode estar se encaminhando para sua última legislatura (2019-2022).

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