fbpx

Gatinho cego vira atração na praça deitado em rede enquanto dono trabalha

Miau Ceguinho mora com seu dono em um carro, no centro de Campo Grande (MS). Luiz ensina macramê na praça e não se separa do gatinho: "Cuidamos um do outro".

Copo com água fica sempre perto de Miau, o gatinho cego que vive na praça em Campo Grande. — Foto: Ariovaldo Dantas/TV Morena

À sombra de uma árvore na praça Ari Coelho em Campo Grande (MS), a cena de um gato deitado tranquilamente em uma rede enquanto seu dono faz macramê, chama a atenção. O gatinho é cego, e pertence ao artesão Luiz Carlos Garcia, que passa seus dias ensinando artesanato. A rede foi tecida pelo dono, para mantê-lo sempre por perto.

Miau passa os dias deitado em uma rede na praça em Campo Grande, e virou atração: "Somos inseparáveis", diz dono — Foto: Flávio Dias/G1MS

Miau passa os dias deitado em uma rede na praça em Campo Grande, e virou atração: “Somos inseparáveis”, diz dono — Foto: Flávio Dias/G1MS

Os dois vivem em um carro, que fica estacionado ao lado da praça. O gato chama-se Miau Ceguinho, e tem pouco mais de 2 anos. Luiz conta que ficou com ele porque ajudou a mãe do animalzinho no parto, e percebeu que ele precisaria de ajuda:

“Vi que ele nasceu cego e imaginei o quanto seria difícil a vida desse gatinho se não tivesse alguém para cuidar dele. Nós salvamos a vida um do outro. Eu o adotei, e ele me curou da depressão.”

Miau virou atração: “Todo dia vem alguém pra tirar foto, fazer carinho nele, conversar um pouco. Às vezes ajudam a gente com ração, ou apenas dando atenção pro gatinho, ele gosta desse mimo”, comenta.

Luiz conta que é portador do vírus HIV e estava muito triste quando adotou o gatinho: “Só Deus sabe o tamanho do meu amor pelo meu gato. Ele me ajudou muito, cuidar dele me fez querer viver. Somos inseparáveis”, relata, emocionado.

Miau ceguinho e Luiz: "Somos inseparáveis", conta dono do gatinho cego. — Foto: Flávio Dias/G1MS

Miau ceguinho e Luiz: “Somos inseparáveis”, conta dono do gatinho cego. — Foto: Flávio Dias/G1MS

O artesão ensina macramê na praça, sem cobrar nada. Os produtos que ficam no local não estão à venda, servem para mostrar o que é possível fazer com as linhas. Luiz conta que aprendeu na escola, e faz questão de dividir sua arte com quem queira aprender: “Posso ajudar alguém a ter um novo meio de vida, ganhar dinheiro, se distrair. Isso já é retorno suficiente para mim”.

Perto do gatinho, um copo com água. Miau nunca enxergou, então, o que ele conhece do ambiente que o rodeia, é sempre orientado por Luiz. Comida e água ficam perto, e ele costuma se afastar apenas fazer as necessidades – que Luiz recolhe em seguida para não sujar a praça. Em seguida, Miau retorna à sua rede, para ficar perto do dono.

Miau Ceguinho conhece o ambiente que o dono apresenta, e se orienta do seu jeito. — Foto: Ariovaldo Dantas/TV Morena

Miau Ceguinho conhece o ambiente que o dono apresenta, e se orienta do seu jeito. — Foto: Ariovaldo Dantas/TV Morena

Ele conta que a convivência no carro, onde vivem juntos, é tranquila. “Tínhamos um passarinho também que Miau sempre respeitou, mas ele cresceu e foi embora. Ficamos nós dois, sempre juntos. Nós somos uma família unida”.

Luiz no carro onde vive com Miau, e o passarinho que também morava com eles: 'Amor pelos animais' — Foto: Arquivo pessoal

Luiz no carro onde vive com Miau, e o passarinho que também morava com eles: ‘Amor pelos animais’ — Foto: Arquivo pessoal

Por conta da doença, Luiz recebe uma aposentadoria, que sustenta os dois. Ele conta que o pai chamou-o para viverem juntos, mas disse que não aceitaria o gato, por isso ele decidiu viver no carro. “O que tenho dá para mim e meu gato, e para que meu ofício sirva apenas para ensinar. Nós vivemos em paz, temos um ao outro. O importante, para mim, é poder estar sempre perto do Miau”.

Luiz comenta que uma demonstração de respeito e amor aos animais não deveria surpreender: “A condição de vida não é desculpa para abandonar um bicho ou tratar mal qualquer animal. Eu cuido do meu ceguinho como se fosse um filho, inclusive enquanto trabalho. O amor pelos felinos, pelos animais, tem que ser multiplicado”, finaliza.

Fonte: G1

%d blogueiros gostam disto: