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Outubro Rosa: A luta para vencer o câncer

Apesar dos avanços desde as primeiras ações do Outubro Rosa no Brasil, em 2002, há muita desinformação sobre as causas e o diagnóstico precoce do câncer de mama. Foi o que concluiu uma pesquisa encomendada pelo Coletivo Pink.

Uma das mensagens propagadas pela ação anual é a de realizar o autoexame. Qualquer alteração (caroço, corrimento, deformação, coceira) pode ser indício da doença.

No entanto, a maneira mais eficaz de diagnosticá-la precocemente é a mamografia. Isso torna preocupante o achado da pesquisa de que 77% das mulheres confiam mais na própria avaliação em casa.

A ginecologista Dra. Elizabeth Viecelli afirma que o principal exame para detectar o câncer de mama é a mamografia.

“O auto exame das mamas sempre foi muito recomendado, sabemos que ele é muito importante mas não é o único método de diagnóstico para o câncer. Orientamos que uma vez por mês, sempre após a menstruação é o momento adequado para fazer o auto exame da mama. As mulheres devem observar se existe alguma alteração na pele, ínguas embaixo do braço aumentada ou mesmo algum caroço no seio. Mas só o auto exame não reduz mortalidade, o que reduz esse número é a mamografia. Esse ainda é o primeiro exame a ser indicado. De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia a partir dos 40 anos todas as mulheres devem fazer mamografia” destaca.

A pesquisa também revela uma falta de entendimento sobre o que provoca essa enfermidade: 73% das participantes acreditam que a grande causa é a herança genética. Segundo Dra. Elizabeth esse dado é equivocado.

“Menos de 10% dos canceres são hereditários. Não devemos nos preocupar apenas com as mulheres que tem histórico na família pois a maioria delas que desenvolvem a doença não tem registro de câncer na família” diz.

O câncer de mama é o tipo da doença mais comum entre as mulheres, no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, correspondendo a 25% dos casos novos, a cada ano. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) prevê para 2019 mais de 59 mil novos casos de câncer de mama. Em 2018 foram registradas 16.927 mortes pela doença, sendo 16.724 mulheres e 203 homens.

“Quanto mais cedo for feito o diagnóstico menos agressivo é o tratamento. Infelizmente percebemos que a mamografia, que seria o exame mais indicado para diagnóstico precoce do câncer de mama, ainda tem muita resistência por parte das pacientes. Informações erradas e falsas notícias divulgadas na internet fazem com que as mulheres tenham medo ou pensem que o exame não seja necessário e isso é perigoso” alerta Dra. Elizabeth.

A notícia de que um novo exame, feito através da coleta de sangue das pacientes, iria substituir a mamografia tem preocupados os médicos. Segundo Dra. Elizabeth a informação está incorreta, sendo que nenhum exame, nem mesmo o ultrassom substitui a mamografia.

“Existe uma fakenews sobre esse exame sendo divulgada nas redes sociais. Existe um estudo sobre um método alternativo para detectar o câncer de mama. Esse exame não foi disponibilizado ainda e não vem para substituir nenhum método. A mamografia ainda é o primeiro exame indicado, sendo que temos o ultrassom que pode ser usado como complemento, mas não substitui a mamografia” pontua.

Uma batalha e não uma sentença de morte

O diagnóstico de câncer não significa uma sentença de morte, mas sim o início de uma batalha que pode ser vencida com tratamento, informação e apoio.

Algumas mulheres que participam da Rede Videirense de Combate ao Câncer (RVCC) contam suas histórias de vida. Os relatos envolvem fé, esperança e amor como principais remédios contra o câncer. Confira.

Sueli de Oliveira
“Eu descobri a doença há dois anos. O médico falou para meus filhos e quando eles vieram conversar comigo eu senti que eu tinha câncer. Fui encaminhada para Joaçaba com indicação de oito seções de quimioterapia. Na terceira sessão o tumor sumiu. Fiz raspagem no local do tumor e na semana passada terminei as sessões de radioterapia. Para quem está começando o tratamento eu peço que tenha fé. Se não fosse a fé eu não teria chegado até aqui. Acredite que você vai ficar bom.”

Cleri Maria Siliprando
“Eu sempre fazia exames de rotina e imaginava que isso nunca aconteceria comigo. Em uma consulta de rotina meu médico percebeu alterações. Era final de ano e ele conversou com a minha filha, pedindo que ela não falasse nada antes do natal. Minha filha passou o fim de ano com esse fardo. Em janeiro ela me contou. Fui operada e retirei a mama toda. Fiz quimioterapia e radioterapia. Na última sessão de radioterapia eu pedi para o médico quando eu devia retornar e ele me disse: Nunca mais, vá embora porque você sarou! Uma amiga disse para eu vir na Casa Azul e Rosa e foi muito bom pra mim. Já fazem quatro anos. Eu pedi pra Deus e superei”

Ivone Saurin
“Em dezembro de 2014 eu descobri o nódulo. Fiz os exames e as biópsias e logo iniciei a quimioterapia. Quando estava na terceira sessão descobriram que o câncer que eu tinha era raro e desconhecido. Terminei as sessões de quimioterapia, fui encaminhada para sessões de radioterapia e agora não preciso mais de medicação. Para quem está começando eu digo: não é uma coisa horrível como as pessoas dizem. É uma doença como outra qualquer. Eu tive uma parada cardíaca, fiquei na UTI. Depois disso posso afirmar que nada é bom. Não é só câncer que mata, você pode morrer de qualquer outra coisa. Não é porque você tem diagnóstico de câncer que você vai morrer amanhã disso. O que mata mesmo é o medo. O câncer mudou a minha vida, talvez se não fosse por ele eu não estaria mais aqui. Eu passei a viver um dia de cada vez e cuidar mais de mim! ”.

Cleidimar Alves da Silva
“Eu descobri o câncer de mama em 2015. Eu bati o seio e depois de dois dias havia um carocinho no local da batida. Fui ao médico, ele me pediu exames, biopsia e com dez dias ele me informou que se tratava de uma célula maligna. O médico me orientou muito mas na hora eu não sabia o que falar. Eu só lembrava do que as pessoas sempre falam: quem tem câncer vai morrer. O que foi fundamental para mim foi o apoio da família. Fiz radioterapia e hoje tomo remédio. Falo para as pessoas não terem medo, se notarem qualquer alteração no seu corpo busquem um médico. Eu busquei tratamento precocemente e consegui melhorar”.

Aide Terezinha Pirolli
“Eu tive câncer de estomago. Fiz cirurgia que retirou 30% do estomago. Hoje estou bem, mas demorei para buscar ajuda e por isso dou meu depoimento, seja qual for a alteração que você notar no seu corpo não espere, procure um médico. Eu participo da RVCC e mesmo depois de estar melhor continuo vindo toda sexta-feira nas reuniões. Você que está começando tratamento agora, destaco a importância desse apoio. Aqui somos uma família e vale muito a pena participar. Tenha fé e tudo vai dar certo”.


Luciana Kramer.
“Fazem dois anos que descobri o câncer. Eu percebi um inchaço no seio. Fui no medico e ele me mandou tomar antinfalmatorio. Não fazia um mês que tinha feito tratamento o seio voltou a inchar. Retornei ao médico e ele me pediu exames. Fiz a biopsia e foi diagnosticado o câncer. Fiz a cirurgia, onde foi retirado metade do seio. Faço a quimioterapia via oral e radioterapia. Posso dizer para quem começou o tratamento que faça certinho, tenha fé pois essa é uma chance que você tem de cura”

Isairda Morais Pereira
“Eu tive câncer de mama há 24 anos. Descobri que tinha um caroço no seio quando fui tomar banho. Na época o hospital em Florianópolis estava em greve e fui encaminhada para Curitiba. Quando descobri a doença eu pensava que ia morrer, porque todas as pessoas que eu conhecia que tiveram câncer tinham falecido. Eu não queria fazer o tratamento porque achava que não tinha cura. Se não fosse o apoio da minha família não teria ido. Fiz a cirurgia de retirada da mama e seis meses de quimioterapia. Tive muito apoio dos filhos. Um dia estava conversando com eles sobre não ter mais um seio e meu filho disse: “ a senhora é a mesma, isso não é nada” e eu percebi que ele tinha razão. Eu participo da RVCC desde o começo e mesmo estando curada eu gosto muito de vir. Para que está no começo do tratamento eu digo: ou você vence o câncer ou ele vence você. Eu graças a Deus venci!”.

Pedágio

As voluntárias da Rede Videirense de Combate ao Câncer (RVCC) realizam nesse sábado, 5, a 3ª edição do pedágio da entidade. A coleta dos valores se dará em alguns pontos da cidade: Superviza, Havan, Via Atacadista, Posto Maxsul, na antiga Vinhos Tupi e no Largo da Estação.

No Largo da estação também haverá venda das camisetas do Outubro Rosa.

Todo valor arrecadado nos pedágios da Rede Videirense de Combate ao Câncer é integralmente destinado para custear as necessidades dos nossos pacientes, homens, mulheres e crianças, dentre as quais destacamos: fornecimento de cestas básicas àqueles que necessitam deste apoio, medicamentos e tratamentos especiais, consultas e exames de urgência, transporte e casa de apoio para pacientes em tratamento quimioterápico na cidade de Chapecó, aquisição de fraldas e alimentação específica, etc.

Importante destacar que o trabalho realizado pela Rede é feito exclusivamente através de doações da comunidade Videirense, e que a principal ação de arrecadação dessa instituição é justamente o pedágio, que acontece todos os anos, no mês de outubro.

As doações também podem ser realizadas, a qualquer tempo, na Conta:

BANCO DO BRASIL: AG: 0403-0 | CONTA: 20.563-X

CNPJ: 04.296.936\\0001-62

Fonte: Jornal Folha

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