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Luta contra HIV: “Eu tinha 21 anos e uma sentença de morte”

Conheça a história de *Maria, pseudônimo escolhido por uma videirense que luta diariamente contra o HIV

Eu tinha 21 anos e me preparava para fazer uma cirurgia odontológica. O dentista me pediu exames de coagulação e anti-HIV. A equipe do laboratório me ligou dizendo que o exame tinha dado alterado e eu o repeti por cinco vezes. Quando os resultados chegaram o laboratório entrou em contato pedindo para que eu fosse até lá para conversarmos, mas eu nem imaginava que o exame alterado era de HIV”


Esse é o começo da história de luta da videirense Maria, que a 9 anos convive com o diagnóstico soropositivo.


Maria, assim como muitas jovens de 21 anos, vivia as emoções do primeiro namoro. Tudo parecia normal, mas o que ela não imaginava é que um ato impensado de entrega e amor poderia lhe custar uma vida inteira de luta.


“Chegando ao laboratório eles me informaram que o exame de HIV tinha dado positivo e eu devia procurar ajuda. Quando eu recebi o resultado do exame meus pais ficaram sabendo e houve uma grande revolta por parte deles. Eles falavam que eu era nova, eu só tinha tido um namorado, que ele havia me contaminado. Acredito que o medo deles na época é que eu fosse morrer, que passasse a minha vida inteira sozinha. Eu contei para o meu namorado na época sobre o exame e ele também se revoltou, falou que ele não tinha nada. Ele me abandonou. Eu me senti desamparada na época” afirma Maria.


Segundo dados da Unaids, agência da ONU especializada na epidemia, 6,2 mil adolescentes e jovens mulheres são infectadas pelo HIV a cada semana no mundo.


O HIV é um vírus que se espalha através de fluídos corporais e afeta células específicas do sistema imunológico. Sem o tratamento antirretroviral, o HIV afeta e destrói essas células específicas do sistema imunológico e torna o organismo incapaz de lutar contra infecções e doenças. Quando isso acontece, a infecção por HIV leva à AIDS.


“No primeiro momento não precisei tomar medicação, mas com o passar do tempo a minha carga viral aumentou. Eu fui para Chapecó consultar um infectologista e ele me passou a medicação que deveria usar. Durante a consulta ele me explicou que a medicação era agressiva e traria alguns efeitos colaterais. Quando a medicação chegou o médico me disse: “não leia a bula, não pesquise nada na internet, pois existem muitas coisas boas mas também existem muitas coisas ruins”.

A primeira coisa que eu fiz foi pesquisar na internet sobre a medicação. Vendo todos aqueles efeitos colaterais que eu poderia ter eu pensei: eu não vou ter nada disso, vou ser confiante. Eu tomava duas vezes ao dia e no primeiro dia eu tive a sensação da morte, eu passei muito mal. Foram longos 30 dias passando mal. Eu perdi muito peso devido ao mal estar que a medicação provocava. Eu pensei várias vezes em desistir do tratamento, mas no primeiro mês de medicação os exames mostraram que a minha carga viral havia diminuído muito e isso me motivou a continuar A doença nunca se desenvolveu, eu tinha apenas o vírus” relata Maria.


A AIDS não tem cura, mas com o avanço da medicina e tecnologias, pode ser tratada com medicamentos, aumentando assim consideravelmente o tempo e a qualidade de vida do paciente.


O Brasil hoje tem uma das maiores coberturas de tratamento antirretroviral (TARV) entre os países de baixa e média renda, com mais da metade (64%) das pessoas vivendo com HIV recebendo TARV, de acordo com dados do Ministério da Saúde. O TARV evita que o HIV se multiplique no organismo. Se a reprodução do HIV para, então as células imunes do corpo são capazes de viver mais tempo e proteger o corpo contra infecções, levando uma vida normal.


“Eu encontrei um companheiro. Quando nos conhecemos eu falei sobre a minha doença e ele aceitou, me acolheu, me apoiou e hoje somos casados. No começo não foi fácil porque eu pretendia ter filhos, mesmo minha carga viral estando estável, achava que não seria possível. Mas foi! Esse ano nós conseguimos realizar esse sonho, tivemos nosso bebê. Estamos muito felizes, nossa família está completa, nosso bebê é saudável, não tem nada. Sou muito grata ao meu marido pela nossa família e por tudo que conquistamos até hoje. Olhando para trás após 9 anos de tratamento eu percebo quão forte eu fui ou o quão forte essa doença me tornou. Não digo que aceitei o HIV, mas hoje eu aprendi a conviver com a doença” diz Maria.


Ao contrário do que algumas pessoas imaginam, é possível um casal soropositivo ter um bebê sem o vírus HIV. Isso é viável graças a uma tecnologia da medicina reprodutiva que permite que doenças virais, como AIDS e as hepatites B e C, não sejam transmitidas aos filhos ou ao parceiro não infectado.

Teste Rápido

O teste rápido para HIV tem como objetivo informar em poucos minutos se a pessoa é portadora ou não do vírus HIV. Esse teste pode ser feito gratuitamente pelo SUS.


O teste é realizado em sigilo, com a supervisão de um profissional de saúde treinado e o resultado é dado apenas para a pessoa que realizou o teste. No caso do teste ser positivo, a pessoa é encaminhada diretamente para aconselhamento, onde terá informações sobre a doença e sobre o tratamento que deverá ser iniciado.


O teste rápido do HIV pode ser feito com uma pequena amostra de sangue que é obtida por meio de uma picada no dedo da pessoa, da mesma forma que é feito o teste da glicemia para diabético. A gota de sangue é então colocada no aparelho do teste e depois de 15 a 30 minutos tem-se o resultado, sendo negativo apenas quando uma linha é vista no aparelho e positiva quando aparecem duas linhas vermelhas. Entenda como é feito o exame de sangue para HIV.


É recomendado que esse tipo de exame seja feito em até 72 horas após o comportamento de risco, como relação sexual desprotegida ou uso de drogas injetáveis, para dar a oportunidade de a pessoa exposta fazer uso das medicações profiláticas, tanto para o hiv quanto para as outrs infecções sexualmente transmissíveis (ists), inclusive a prevenção de uma gravidez indesejada. o acompanhamento com novos exames acontece 30 e 60 dias após o primeiro. Isso porque o organismo precisa de um certo tempo para produzir quantidades suficientes de anticorpos contra o vírus para que seja detectado no exame.

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