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As pessoas estão doentes, e a causa não é o coronavírus

Morte de Aislan Crozeta Corrêa, em São Ludgero, causou onda de desrespeito nas redes sociais

A crise atual revelou um quadro grave entre os brasileiros. E o motivo não é o coronavírus, doença que já matou 432 pessoas no país. Os sintomas são diferentes e os efeitos devastadores. Quem os possui, transmite com intensidade, sem compaixão ou empatia. Os contaminados atingem o psicológico alheio, causam medo, espalham insegurança.

As redes sociais são o campo aberto para a proliferação da doença. Comentários pesados, agressivos, fake news. Rapidamente o clima tenso se espalha, como se não bastasse o sentimento pesado instalados entre as pessoas. A crise do coronavírus expôs a gravidade do quadro, escancarou a incapacidade de enxergar a dor de quem nos rodeia.

A morte de Aislan Crozeta Corrêa, 32 anos, no Sul de Santa Catarina, revelou mais uma das faces desta doença – não a do coronavírus, repito. As informações oficiais, tanto da prefeitura como do governo do Estado, confirmam que o paciente tinha coronavírus. Mas o tribunal da internet e do WhatsApp deu um jeito de apontar outra causa. Foi necessário pouco tempo para se espalhar a mentira. Atarefadas pela quantidades de preocupações com a atual crise, as autoridades precisaram parar suas atividades para negar a fake news.

Mas não terminou nisso. Começou também a relativização da morte de Aislan, a comparação com outras doenças. Tudo como se o rapaz de 32 anos, casado, pai de uma criança pequena, fosse apenas um número, sem qualquer relevância. A morte dele tornou-se motivo para uma discussão sobre a força do coronavírus, algo que em nada agrega para o momento.

As pessoas realmente estão doentes. Mas é por falta de capacidade de se colocar no lugar do outro, por enxergar questões ideológicas acima do humanismo, por ignorar a tristeza da família que chora a perda de uma pessoa. Ignora-se o sentimento em detrimento da agressão, do enfrentamento para comprovar que a sua tese é melhor do que a outra.

A cura dessa doença, porém, existe. E não pede muitos estudos e análises laboratoriais. Uma forma é colocar em prática o mínimo de afeto. Precisamos agir como humanos, no sentido da palavra: “bondoso, compassivo, caridoso”, como indica o dicionário. Não precisa ser um especialista em altruísmo para isso. Basta somente se colocar no lugar dos outros.

Fonte: NSC

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