• 13/09/2020

Os desafios de ser caminhoneiro no Brasil

Entrevista / Wilson Silva do Amaral

Profissionais dedicados, os caminhoneiros passam longos períodos longe de suas famílias, garantindo seu sustento e fazendo com que o país siga funcionando. A profissão é muito especial e por isso merece ser comemorada e lembrada por todos.


Comumente são realizadas festas em comemoração aos caminhoneiros no dia 25 de julho, porém nesta data é comemorado o dia de São Cristóvão, padroeiro dos caminhoneiros. O dia do caminhoneiro é comemorado em 16 de setembro, definida em 2009 como Dia Nacional do Caminhoneiro.

Para marcar a data, conversamos com Wilson Silva do Amaral, presidente do Sintravide – Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Cargas de Passageiros de Videira, que trabalhou durante muitos anos na boleia de um caminhão e hoje atua como defensor das causas da profissão.

Acompanhe:

Jornal Folha – Você trabalhou como caminhoneiro por quando tempo?
Wilson Silva do Amaral – Estou na profissão por vinte e seis anos, atuando como motorista, e atualmente, como Presidente do Sintravide a doze anos, mas, ainda sou motorista, pois a profissão de sindicalista, não existe no Brasil, estou dispensado da Transportes Benjamin Ltda, por estar na condição de Presidente do Sintravide, encerrando minha atividade no Sintravide, retorno automaticamente a empresa a qual estou registrado como motorista.

JF – O que o levou a trabalhar como caminhoneiro?
Amaral – O meu pai Alfredo Souza do Amaral (in memorian), pois ele era motorista e se aposentou como motorista autônomo, e aos quatorze anos, já sabia dirigir caminhão. Por admirar ao meu pai adquiri amor pela profissão.

JF – Quais são os principais problemas enfrentados pelos caminhoneiros no Brasil?
Amaral – Atualmente, a maior dificuldade, acredito ser a falta de segurança nas estradas brasileiras, atendimento médico nas viagens, remuneração correta, condições sanitárias, falta de investimento na malha viária e qualificação e preparação para executarem a rotina diária, este item em especifico aos iniciantes.

JF – Que conselhos você daria para quem começar na profissão?
Amaral – Verificar a realidade de um motorista no dia a dia, para que não se aventurem na profissão, só pela ilusão da liberdade de viajar, em um veículo, que hoje são deslumbrantes, pois, se não gostarem do que estarão efetuando, ou ser um profissional nas estradas, com certeza, não suportarão esta rotina, por vários motivos.

JF – Qual a melhor e a pior parte de ser caminhoneiro?
Amaral – Quando se é caminhoneiro por amar a profissão, a sensação de liberdade, de estar no comando de uma máquina com maestria, por conhecer um pouco mais deste Brasil, a diversidade das raças, povos, alimentações diversas, e efetuar contatos todos os dias com pessoas novas, e somar ao nosso dia a dia como crescimento pessoal, unir a profissão a viagens e conhecimentos. E penso que o mais triste, é quase nunca estar presente em quase todas as datas comemorativas de seus familiares, e coisas simples para muitos, para nós caminhoneiros, como levar seu filho ao primeiro dia da escola, a um dentista, ou simplesmente quando ele tenha alguma dificuldade, quase nunca estaremos presentes.
JF – Você acredita que exigências como o exame toxicológico ajudam a selecionar melhor os motoristas e contribuem na diminuição dos acidentes?
Amaral – Penso que é uma forma de profissionalizar a categoria, e regrar administrativamente o transporte, entre embarcadores e transportadores, assim evitando o excesso da jornada, e este leva a acidentes sem dúvidas.

JF – Em relação as estradas brasileiras, como está a conservação delas?
Amaral – A malha viária já foi muito pior no passado, tivemos bastante investimento nos últimos anos e governos, de maneira pública e privada, mas, não atendeu o suficiente, em comparação ao crescimento brasileiro em relação ao crescimento percentual dos veículos de cargas e de passeios.

JF – Porque acontecem tantos acidentes nas estradas brasileiras?
Amaral – Por vários fatores, falta de investimento e crescimento da malha viária, conservação da mesma, excesso da jornada de trabalho, falta de fiscalização das autoridades competentes, leis que não punem aos infratores e sem dúvida, motoristas desrespeitosos para com os demais na rodovias, consequência da impunidade.

JF – Depois das últimas greves, a situação dos caminhoneiros melhorou?
Amaral – Não, pois nas ultimas greves, os caminhoneiros não pediram nada para a classe dos motoristas em especifico, foram usados para pedirem pedágio, óleo mais barato etc.

JF – Ainda compensa ser caminhoneiro no Brasil?
Amaral – Se analisar, o custo e benefício, atualmente, não vale a pena.

JF – O que poderia ser feito para melhorar a vida dos caminhoneiros?
Amaral – Segurança nas rodovias, condições sanitárias, investimento nas malhas viárias, remuneração mensal digna, diária para alimentação coerente para tal, “não forjar estarem cumprindo o mesmo”, e aos embarcadores e transportadores, cumprirem realmente, as leis trabalhistas e as da legislação atual do trânsito.

JF – Deixamos um espaço para suas considerações finais.
Amaral – Esperemos que o Brasil, como um todo, progrida, e assim, eleve a profissão de motorista a uma condição de melhorias no geral, junto com as demais profissões.

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