• 13/09/2020

Valerio Mondin: 50 anos à serviço da agronomia

O engenheiro agrônomo é o profissional que estuda, planeja e supervisiona a aplicação de princípios e processos básicos da produção agrícola, combinando conhecimentos de biologia, química e física, aos estudos específicos sobre o solo, clima, culturas e rebanhos, envolvendo um campo bem diversificado.

Conversamos essa com engenheiro agrônomo Valerio Pietro Mondin, que este ano completa 50 anos dedicados à profissão.

Confira:

Jornal Folha – Há quanto tempo o senhor é formado em agronomia?
Valerio Pietro Mondin – Eu me formei em dezembro de 1970. Neste ano, fará, portanto, 50 anos.

JF – Onde se formou?
Valerio Mondin – Formei na Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, no Rio Grande do Sul.

JF – Como foi sua opção pela agronomia?
Valerio Mondin – Sempre gostei da natureza, de seu convívio e com quem nela vive e trabalha. A opção, como se vê, foi bastante “natural”.

JF – Como foi o seu processo de saída da universidade e entrada no mercado de trabalho?
Valerio Mondin – Era o ano de 1970. Eu frequentava o último ano de Agronomia da UFSM. Um dia, veio nos visitar um ex-colega do Curso Científico, do Colégio Estadual Nicolau de Araújo Vergueiro – CENAV, de Passo Fundo, RS. Ele havia se formado, em Agronomia um ano antes de mim, já que eu havia parado de estudar, para uma viagem à minha terra natal, na Itália. Ele estava trabalhando na Associação de Crédito e Assistência Rural de Santa Catarina – Acaresc, em Caçador. Contou-nos sobre seu trabalho e o início do Projeto de Fruticultura de Clima Temperado – PROFIT, que estava sendo implantado e desenvolvido pela Acaresc. Interessei-me muito, pois sempre gostei da fruticultura e fiquei pensando em poder trabalhar nesse projeto. Quase ao final do ano, pouco antes de nossa formatura, veio visitar a turma de formandos, um representante da Acaresc. Ele nos apresentou dados e informações sobre Santa Catarina, sua agricultura e o trabalho desenvolvido pela Acaresc e a qual faria um concurso para admitir novos extensionistas. Convidou-nos, como futuros engenheiros agrônomos, a fazer o concurso, para trabalhar em Santa Catarina. Após a formatura, não tive dúvidas, junto com outros colegas, viemos fazer o concurso. Quase todos foram aprovados, inclusive eu. A partir de então, com início em janeiro de 1971, participamos do chamado “Pré-serviço de Extensão Rural”, para melhor conhecer o estado, seus habitantes, suas culturas, suas atividades econômicas e tecnologias. A realização era em Florianópolis e tinha a duração de 3 meses. A avaliação continuava durante o pré-serviço, sendo que alguns dos participantes, por não aprovarem, foram dispensados. Na fase final da preparação pediram que indicássemos a nossa preferência de localização de trabalho, em até três dos municípios com vagas existentes ou que iriam vagar. Busquei no mapa onde estava em andamento o PROFIT e mais informações sobre os municípios. Minhas escolhas, em ordem de preferência, foram Pinheiro Preto, Agronômica e Videira. Ao final do pré-serviço, enviaram-nos para os estágios. Eu fui enviado para Concórdia, onde se desenvolvia intenso trabalho em suinocultura e milho. Não era minha preferência, mas aprendi muito e até a gostar das atividades, só que continuava interessado na fruticultura. Ao final do estágio, que durou 1 mês, seriam definidas as localizações pela Diretoria e pelos então Supervisores Regionais, no Escritório Central, em Florianópolis. Ao que eu soube, meu destino era ficar em Concórdia, já que o Extensionista Local iria sair. Antes do Supervisor Regional de Concórdia viajar para a reunião, pedi-lhe que me destinassem a um município onde se desenvolvia o PROFIT, que era na atividade que gostaria de trabalhar. Na volta do Supervisor, minha expectativa era grande. Ele me informou que eu havia sido destinado a trabalhar em Rio das Antas. Procurei no mapa e gostei. Estava no coração da fruticultura de clima temperado, já que a Sede Estadual do PROFIT era em Videira.

Jornal Folha – O profissional de hoje precisa de capacitação constante. O que o agrônomo deve fazer para se atualizar após sair da universidade?
Valerio Mondin – Qualquer profissional, em qualquer área, necessita se atualizar constantemente, pois a ciência e o conhecimento avançam e evoluem, em todas as áreas. As atualizações ocorrem de muitas e diferentes formas, sejam através de publicações diversas, livros, resultados de pesquisas, trabalhos e experiências de outros colegas e profissionais, participações em cursos, palestras e demais eventos da profissão, além da observação e avaliação do que fazemos e de seus resultados.

JF – Como o senhor avalia a contribuição do Engenheiro Agrônomo no desenvolvimento de novas tecnologias e também na qualidade de vida das pessoas?
Valerio Mondin – O engenheiro agrônomo é um profissional que atua em diversas áreas , seja em pesquisa, educação, assistênca técnica nas atividades ligadas à agricultura, à alimentação, ao agronegócio e ao mercado, de um modo geral. Pode-se dizer que sua atuação é bastante eclética ou, talvez polivalente.

JF – Qual o principal desafio para o engenheiro agrônomo hoje em dia diante um mundo cada vez mais globalizado?
Valerio Mondin – Manter-se atualizado e sempre buscar as melhores alternativase opções, para todas as situações e áreas em que atue, além de observar e avaliar o que é feito e seus resultados.

JF – Em relação ao uso de agrotóxicos, como o senhor vê essa prática, ela é necessária?
Valerio Mondin – Vamos pensar juntos. Esses produtos, antes de serem chamados agrotóxicos eram chamados defensivos agrícolas e havia certo descuido em seu uso. Naquela ocasião da mudança de nome, pareceu-me interessante, pois acreditava-se que estimularia ter mais cuidados, em seu uso. Agrotóxico significa agroveneno, mas são produtos muitas vezes necessários para defesa das culturas e das plantas que também são seres vivos e, como tal, sujeitos ao ataque de pragas e doenças, assim como os animais e os seres humanos. Parece que o problema maior foi o nome dado, pois transmite a ideia de ser nocivo e prejudicial a todos e a tudo. Vamos considerar a parte animal. Por que os produtos destinados a protegê-los são chamados de medicamentos? Não deveriam, então, serem chamados de zootóxicos? Nos seres humanos, os medicamentos deveriam ser chamados de humanotóxicos? Os produtos utilizados para combater mosquitos, moscas e outras pragas domésticas, que são muitas vezes os mesmos usados na agricultura, além de produtos de limpeza e outros que se escoam pelos ralos e vasos sanitários deveriam ser chamados de domesticotóxicos? Os produtos, oficialmente usados para combater os transmissores de doenças, como a dengue e outras, como seriam chamados? Caberia ainda lembrar de resíduos e poluentes industriais, além de muitos outros. Como se vê, existem muitos tóxicos não considerados ou não lembrados, mas os agrotóxicos, esses são sempre lembrados e citados, mesmo que sem um mínimo de conhecimento sobre eles. Com isso tudo, quero dizer que todos os produtos, que mesmo usados para proteção, podem também ser nocivos ou prejudiciais, portanto é necessário conhecimento e cuidados no seu uso. No caso dos agrotóxicos, quem tem esses conhecimentos, de um modo geral, é o engenheiro agrônomo. Lembrar sempre que todo o medicamento (ou o agrotóxico) deve ser usado só quando e se necessário, na dose, na época e na forma correta. Lembrar sempre que todos os seres vivos, incluindo as plantas, estando vigorosos, bem nutridos e bem cuidados serão sempre mais resistentes a pragas e doenças. Lembrar também, que muitas vezes existem maneiras alternativas , no combate de pragss e doenças, que podem dispensar o uso de agrotóxicos e de outros tipos de “tóxicos” citados.

JF – Crescemos ouvindo que o Brasil é o celeiro do mundo. O senhor acredita nesta afirmação?
Valerio Mondin – Acredito que sim. Vejamos. O Brasil dispõe de terra, água, clima, tecnologia, qualidade e força, bem como vontade de seus produtores e de quem atua no agronegócio geral. Sabe-se também que , atualmente, cerca de 1 em cada 3 empregos é gerado pelo agronegócio, o que é muito significativo e demostra o vigor desse setor da economia nacional. Ao que se sabe, há muito tempo o Brasil deixou de ser importador de alimentos para se tornar um dos maiores fornecedores e exportadores para o resto do mundo. Cabe salientar ainda que, a área agricultável do país é enorme e mesmo assim, com a atual tecnologia e sua evolução, tem potencial para aumentar em muito sua produção, com a mesma área utilizada atualmente. Com tudo isso, podemos, ou não, acreditar que o Brasil é o celeiro do mundo?

JF – Deixamos um espaço para suas considerações finais.
Valerio Mondin – Gostaria apenas de agradecer a oportunidade para expor o assunto, esperando que possa ser interessante a quem ler. Aproveito a oportunidade para, também homenagear e felicitar a todos os engenheiros agrônomos, nesse dia 13 de setembro, Dia Mundial do Agrônomo.

Fique ligado nos conteúdos!

Receba atualizações, dicas, artigos e conteúdos especiais com prioridade!

Anuncie sua Empresa

Contrate uma assinatura e ganhe 3 meses de selo para anúncio*