Ainda muito assustada, Maria* tem dificuldades para dormir e não consegue ficar sozinha. Após o crime que chocou Santa Catarina e tirou a vida de uma mulher grávida em Canelinha, na Grande Florianópolis, a jovem tampouco saiu de casa. 

“Se as semanas tivessem batido, poderia ter sido comigo”, disse a mulher de 19 anos, grávida de sete meses na sala da casa de sua mãe, em Tijucas, na Grande Florianópolis.

A notícia do crime colocou medo na família que não quer se identificar, já que Maria foi uma das abordadas por Rozalba Maria Grime durante o período em que procurava uma vítima.

A futura mãe de primeira viagem é uma das três mulheres ouvidas durante as investigações do homicídio triplamente qualificado no dia 27 de agosto.

O delegado Paulo Alexandre Freyesleben e Silva acredita que ao longo dos próximos dias mais grávidas poderão ser ouvidas. A Polícia Civil acredita que mais de 10 mulheres foram assediadas pela acusada e presa pelo crime.  

Conversas em redes sociais encontradas no celular de Rozalba mostram a acusada de matar uma gestante com um tijolo mantendo contato outras mulheres em gestação. As perguntas e conversas eram sempre as mesmas: tempo de gravidez, gênero da criança esperada e cidade em que morava. 

Maria recebeu o pedido de amizade de Rozalba em uma rede social no dia 24 de agosto. Com muitos amigos em comum, a jovem aceitou o convite e, no mesmo dia, a acusada respondeu uma interação da grávida. 

Rozalba trocou mensagens com jovem de 19 anos Foto: Anderson Coelho/ND

“Eu tinha postado uma foto da minha barriga e ela respondeu perguntando se eu tava grávida de quantas semanas, se era menino ou menina” disse a jovem que chegou a conversar, mas com a abordagem insistente da mulher a incomodou.“Não dei muita bola para ela, achei estranho e não respondi”, disse. 

Nas redes sociais, Rozalba adotou um comportamento de futura mãe. Compartilhava informações sobre gravidez e chegou a fazer uma rifa para arrecadar fraldas. “Eu achava que ela tava grávida, tinha um monte de coisas sobre isso”, contou a jovem. 

Outra mulher ouvida pelo delegado Paulo solicitou acompanhamento psicológico. Moradora de Brusque, a grávida estudou com Rozalba na infância, mas se mudou de Canelinha. Pelas redes sociais, as amigas conversavam e trocavam informações sobre a gestação.

“Essa ficou em pânico. A Rozalba conversou com ela depois do crime e essa podia ter sido a vítima”, disse o delegado.

Amigos esperavam nascimento do bebê

Além da interação com outras grávidas, a polícia descobriu o contexto em que o crime ocorreu. Por meio de mensagens, trocadas na semana do crime, familiares e amigos questionaram a data do parto e as semanas de gravidez. Em uma destas mensagens, Rozalba comentou que se a criança não chegasse até o dia 27, no dia seguinte uma cesariana estava marcada. 

“Até mesmo de uma forma carinhosa as pessoas perguntavam sobre as dores do parto e a previsão do nascimento. Ela comenta da cesária e diz que o médico já marcou”, afirma. 

Ministério Pública cita laudo de exame de Rozalba

Em um documento anexado ao processo, o Ministério Público menciona um laudo feito pelo IGP (Instituto Geral de Perícias) após um exame no dia do depoimento de Rozalba.

O texto que a Secretaria de Saúde Municipal de Canelinha foi procurada e informou que não haviam informações sobre consulta de pré-natal ou exames de gravidez da acusada.

Acusada tentou forjar documento 

Policial Civil há 15 anos, Leandro Pedro Rodrigues contou à reportagem do nd+ que encontrou mensagem no celular de Rozalba que comprovam que ela tentou “esquentar um documento de grávida”. 

Investigador contou sobre falsa grávida ter tentado forjar documento – Foto: Anderson Coelho/ND

Ela se aproximou de uma grávida de Canelinha que trabalhava com ela e solicitou fotos da carteira de gestante.

Depois, ela entrou em contato com o posto de saúde solicitando o mesmo documento alegando que havia uma consulta marcada no Hospital Carmela Dutra, em Florianópolis.

“Ela disse tinha cópias dos exames que fez no posto de saúde e perdeu o documento. Mas ela não consegue, porque no posto de saúde eles percebem que não bate e negam a carteira”, disse Leandro. 

Mensagens apagadas

Na investigação preliminar no celular de Rozalba, a polícia percebeu que a acusada apagou várias mensagens, inclusive as conversas entre ela e a vítima.

Delegado Paulo Alexandre Freyesleben e Silva fala sobre o crime – Foto: Anderson Coelho/ND

Segundo o delegado Paulo, as conversas estão no celular da vítima, já que a mulher  não conseguiu descobrir a senha. O aparelho eletrônico foi encontrado na casa do casal suspeito do crime um dia após o homicídio. 

Os celulares estão no IGP (Instituto Geral de Perícias). A Polícia aguarda o documento para entender melhor a dinâmica do crime, a participação do companheiro, Zulmar Schiestl, de 44 anos, e a premeditação do homicídio.

Até o momento, a Polícia Civil descarta a chance de uma terceira pessoa no crime. 

Contrapontos

Zulmar Schiestl

A defesa do senhor Zulmar, por meio do seu advogado, Dr. Ivan Roberto Martins Junior, tem a dizer que comprovará a sua inocência durante a instrução processual, bem como não medirá esforços até que venha à tona a verdade, qual seja, o fato de que o mesmo não teve nenhum tipo de participação nos crimes dos quais está sendo injustamente acusado.

Rozalba Maria Grime

A acusada solicitou um novo advogado pela Defensoria Pública de Santa Catarina. No andamento do processo, é o juiz  que deve nomear a defesa. Até a última atualização deste texto, o Tribunal de Justiça  não havia sido informado sobre o nome do novo defensor.

Fonte: NDOnline