• 24/09/2020

“Meu marido me traiu (e se casou) com a minha mãe”

A palestrante motivacional pernambucana Kamylla Wanessa Cordeiro de Melo passou 78 dias internada em estado grave. Quando saiu do hospital, a bomba: sua mãe, casada havia 32 anos com o seu pai, que tinha se mudado para a casa dela com o pretexto de cuidar do neto, estava em um relacionamento amoroso com o seu marido. Sogra e genro foram imediatamente morar juntos e, dois anos depois, seguem casados.

“Fui criada em uma família tradicional de Recife. Tenho dois irmãos mais novos, meus pais viveram 32 anos juntos. Na adolescência, por volta dos meus 13, 14 anos, minha mãe entrou numa de competir comigo. Ela tinha só 20 anos a mais do que eu, e dizia que as minhas roupas vestiam melhor nela, que a comida dela era melhor… Nada que eu fizesse era bom o suficiente. Manipuladora, falava para o meu pai que fazia essas coisas para o meu bem, para melhorar minha autoestima. E eu só me afundava.



Os anos foram passando e, quando eu estava com 25 anos, no fim de 2012, me apaixonei por um rapaz dez anos mais velho que eu. Nos conhecemos dentro da minha casa, o primo dele era muito amigo dos meus irmãos. Não demorou para começarmos a namorar. Casamos em agosto de 2013 e, já no ano seguinte, nasceu nosso filho, hoje com 6 anos, de uma gravidez complicada.

No fim de 2017, precisei fazer uma cirurgia bariátrica. A ideia não era emagrecer, e sim cuidar das minhas taxas hormonais. Depois de operar, tive um AVC e precisei me hospitalizar de novo. Passei o Réveillon inyernada e os qause quatro meses seguintes, até 16 de março de 2018. Durante esse período, minha genitora (juro que não consigo mais chamá-la de mãe) foi para minha casa ajudar meu marido a cuidar do meu filho que, na época, tinha 4 anos. Meu pai havia ficado no interior do Pernambuco com o meu irmão caçula. Nos últimos 17 dias de internação, fiquei em estado grave na UTI e meu pai foi a Recife me visitar. Lá, descobriu que a minha genitora e meu então marido nunca mais tinham passado no hospital para me ver. Só depois fiquei sabendo que, nesses quatro meses que passei internada, grande parte do tempo entre a vida e a morte, meu ex só havia me visitado duas vezes e ela, nenhuma.

Como estava um pouco melhor, meu pai assinou um termo de responsabilidade para me tirar do hospital, já que ainda não havia tido alta, e me levou para a sua casa. Doze horas depois, tive a pior dor da minha vida. E não foi física. Sem grandes rodeios, meu pai, que já havia pegado meu filho, contou que sua mulher e meu marido estavam tendo um caso. Parecia que estava levando uma facada no peito, uma mistura decepção e incredulidade. A sensação era de que ele estava me contando que os dois haviam morrido juntos, em um acidente de avião.



Liguei imediatamente para o meu marido. Uma vez, duas, várias. Ele não atendia. Recebei então um WhatsApp dele com pedido de separação. Sem uma explicação, uma justificativa, nada. Telefonei em seguida para a minha genitora. Muito nervosa, falei que tinha saído do hospital, que estava viva e perguntei se era verdade que eles estavam juntos. A resposta? Que sim, juntos e muito felizes. Fiquei sem acreditar no que ouvi. 



Três dias depois, voltei com ele para casa. Quando cheguei lá, meu marido já tinha levado suas roupas e documentos. Não sabia onde ele estava, só sabia que estava com ela. 

Meu pai se divorciou em 15 dias, tempo necessário para ela juntar os trapos com o meu ex marido. A notícia espalhou rapidamente, foi um baque para todos que nos conheciam.


No Dia das Mães daquele ano, dois meses depois de eu ter deixado o hospital, recebi uma ligação do meu avô materno dizendo que havia encontrado os dois em Porto de Galinhas. Contou que o casal estava feliz da vida, fazendo compras em lojas caras, como se nada tivesse acontecido. Ele também nunca mais falou com a filha, assim como o restante de ambas as famílias.  Desliguei o telefone e escrevi um relato no Facebook falando de toda a humilhação a que estava exposta.



Com isso, a família dele, que me apoiava em tudo, me despejou do apartamento em que vivia – que era do meu sogro. Grande parte dos nossos amigos, que sequer sabiam que havíamos nos separados, também ficaram em choque e cortaram relações com o meu ex.

Desde então, nunca mais estive com minha genitora. Somente a vi uma vez em um shopping e ela mais parecia minha cópia. Cortou e pintou o cabelo, agora está loira como eu. Ela, que sempre manteve o cabelo escuro e comprido. Comprou roupas novas e anda nas ruas do Recife como se fosse um ‘fake’ meu.

Fazendo uma retrospectiva, hoje vejo que minha genitora vivia querendo agradar o meu ex, mas sempre acreditei que fosse carinho de sogra, que ela o enxergava como um filho. Já ele achava graça da competição besta que ela tinha em relação a mim. E só.

Meu filho fica com o pai duas a três vezes por semana, por ordem judicial. Não é fácil, mas sou obrigada a permitir a convivência do meu pequeno com essa relação tóxica e nociva. É cruel, mas não posso mandar na casa deles. Há pouco tempo, soube que minha genitora faz questão de comemorar o aniversário de relacionamento deles no dia 02 de março. Sem nem disfarçar que começou a sair com o meu então marido enquanto eu estava internada.



Quase dois anos depois de ter me separado, encontrei um cara bacana e comecei a namorar. Estamos juntos há 10 meses, em uma relação respeitosa e ética. Tenho uma família linda e unida, meu pai é amoroso e meu filho, um doce de criança. Costumo dizer que no fundo do poço existe uma mola que nos impulsiona a voltar a viver e vencer desafios. Hoje, virei influenciadora digital, modelo fotográfica e ajudo outras pessoas contando a minha história. Só quero viver em paz, bem longe deles. E focar no restante da minha família, que nunca me deixou sozinha.”

Fonte: Marie Clair

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