• 18/10/2020

Júlia Lage – Entre os Astros do Rock’n’roll

Julia Lage é baixista, cantora e compositora, já participou da banda sertaneja Barra da Saia e, atualmente, mora nos Estados Unidos com seu marido, Richie Kotzen (Mr. Big, Poison, The Winery Dogs). Se deliciem com esse belo bate-papo.

DR: Quando você percebeu que a música se tornou uma ocupação profissional em sua vida?

Júlia Lage: A música sempre fez parte da minha vida. Comecei tocando flauta doce aos 5 anos, passei para flauta transversal, cantava no coral da escola e sempre amei música, do erudito aos clássicos do rock. Quanto fiz 14 anos, convenci minha mãe a me dar um contrabaixo e me apaixonei. Minha primeira banda era só de mulheres, tocávamos rock autoral e cover. Aos 17 fui chamada para entrar em uma banda sertaneja que já viajava o país. Fiquei por 13 anos. Foi ali que percebi que minha paixão tinha se transformado em profissão.

DR: Como foi deixar o sertanejo e se dedicar exclusivamente ao Rock’n’Roll? Você ainda tem contato com as meninas da Barra da Saia?

JL: As nossas vidas tomaram rumos bem diferentes, ainda falo com algumas meninas, sim. Deixar o grupo e me dedicar 100% ao rock aconteceu naturalmente. Eu já estava pronta para trabalhar com o estilo de música que me fez começar a tocar o baixo.

DR: Quais são suas maiores influências musicais? E quais são seus baixistas preferidos?

JL: Quando criança eu ouvia de tudo, mas música clássica e rock sempre foram minhas maiores influências. Quando o Youtube apareceu, eu tive uma noção maior de quantos baixistas incríveis existiam. Eu amo baixistas com personalidade, que fazem você notar que são eles que estão tocando e fazem você querer voltar a faixa pra entender o que estão fazendo. Alguns dos meus favoritos são Geddy Lee, Sting, John Paul Jones, Marcus Miller, Paul McCartney e por aí vai…

DR: Dos vários músicos que você conheceu e com quem dividiu o palco, quais foram os mais legais? Richie Kotzen não vale (risos).

JL: (Risos) Eu nunca vou esquecer quando estava tocando em uma festa de Halloween aqui em Los Angeles com minha banda The Sister Knot e, em um dado momento, abrimos o set para fazer uma jam com o pessoal. Aí comecei a tocar com os guitarristas que subiram no palco e quando me dei conta estava tocando com nada mais nada menos do que Nuno Bettencourt, Steve Vai e Steve Lukather. Lembro que alguém virou pra mim e falou: “Espero que saiba quão sortuda você é”. O melhor é que Nuno estava vestido de Elvis, Steve de pirata e Lukather de palhaço It. Ah, e eu, de diaba! Foi o dia mais surreal.

DR: Quais foram os discos que mudaram sua vida? E você tem eles em formato físico?

JL: Nossa, pergunta difícil! Alguns álbuns foram sem dúvida divisores de águas, tanto como baixista, cantora e compositora. Moving Pictures (Rush), Sgt Pepper’s Lonely Heart Club Band (The Beatles), M2 (Marcus Miller), Led Zeppelin (Led Zeppelin), Get a Grip (Aerosmith), Dream Boat Annie (Heart). Formato físico eu tinha alguns, mas deixei eles no Brasil.

DR: Liste cinco shows inesquecíveis para você?

JL: Olha, por incrível que pareça, eu não vou muito a shows. Nunca tive tempo por estar tocando ou viajando para tocar. Alguns shows que me marcaram foram: Rush em São Paulo (turnê do DVD Rush In Rio, 2003), som perfeito e três músicos impecáveis! Paul McCartney, fui algumas vezes e sempre impressiona o tanto de hits que ele tem. Iron Maiden, aqui em Los Angeles e foi marcante, pois entramos no estádio no carro do próprio Adrian Smith. Assistir a esse show foi surreal, afinal eles são precursores do metal, e ainda lotam os estádios. Heart foi incrível – ver as irmãs Wilson tocando e arrasando nos vocais, super influência para mim. E, no final, ainda tive o prazer de falar com a Nancy Wilson. Aerosmith em São Paulo, não me lembro o ano. Quando descobri a banda na minha adolescência, Steven Tyler virou meu mundo de cabeça para baixo, a voz, as roupas, a presença de palco, tudo aquilo me fez querer ser o que ele é. Quando tocaram “Dream On”, lembro de chorar igual criança. Tive a honra de conhecer o Steven anos depois aqui em Los Angeles e eu praticamente tive um piripaque (risos).

DR: Você grava vídeos engraçados ensinando a cozinhar e, no final, usa seu marido como cobaia. Como surgiu a ideia de fazer esses vídeos?

JL: (Risos) Cobaia é ótimo! Ele ama! Bom, quando a quarentena começou eu não tinha mais shows para tocar, tudo parou. Mas a criatividade está sempre a mil. Então, um dia, resolvi fazer uma torta da minha mãe e filmei o processo nem sei o porquê. Só sei que começou a dar tudo errado com a receita e acabei resolvendo fazer uma edição engraçada para postar. Eu amo cozinhar e amo fazer os outros rirem. Sempre fui palhaça. Foi assim que surgiu o Bass N Bake. Agora vou começar a segunda fase com convidados e receitas novas. Só posso falar que vai ter coisa boa vindo!

DR: As misturas de ritmos e línguas na sua canção “Hey You” são impressionantes. Como foi o processo de composição para essa música?

JL: Eu tinha essa música há uns 4 anos no meu computador, sem letra só com a melodia e acordes, só tinha a primeira parte. Quando a quarentena trancou a gente em casa, eu resolvi terminar. A primeira parte eu não conseguia criar algo maior. Comecei a brincar no violão e pensei em mudar o ritmo e entrar nas minhas raízes brasileiras. Aí decidi cantar em português. Essa música é meu primeiro trabalho solo e quis provar para mim que eu conseguia sentar e compor uma música própria. Deu trabalho, mas sou eu tocando tudo, e eu amei! Coloquei tudo que sei. Até flauta transversal e solo de baixo (risos). Quis mostrar um pouco de mim e trazer uma mensagem positiva nesses tempos tão complicados.

DR: Obrigado pelo bate-papo e pelo ótimo trabalho que você vem realizando. O espaço é todo seu.

JL: Obrigada a você, Elias! Fico feliz em poder falar de música e de poder divulgar um pouco do meu trabalho com vocês. “Hey You” é uma música conceitual e diferente do que as pessoas esperam ouvir de mim. E fiquem ligados no meu próximo lançamento, o single “Confess”. Vou lançar no meu aniversário, 23 de outubro. Se interessar em conhecer o meu trabalho, acesse www.julialage.com. Obrigada pela atenção de todos e continuem espalhando boa música e boas energias!

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