• 18/10/2020

Um Momento com Ele

“No princípio, ao criar Deus o céu e a terra, a terra estava sem forma e vazia, e havia escuridão sobre a face do abismo, é o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas “Genesis 1:1ao 2.

Estas são as sentenças de abertura da Bíblia que seguem adiante para nos contar o dramático relato de como viemos à existência. Deve-se destacar que, desde o início, nós recebemos uma pista muito importante de como Deus irá relacionar a Sua criação à nossa dor e sofrimento. A pista está numa palavra hebraica incomum: merachéfet, que significa “pairava” e que só aparece duas vezes em toda bíblia – aqui e no próprio fim do Pentateuco, no livro de Deuteronômio.

Ali, ao descrever aos israelitas o relacionamento de Deus com Seu povo, Moisés compara Deus a uma águia que paira sobre seus filhotes.

Vamos esclarecer a comparação: “A águia não pressiona o seu filhote, mas paira, tocando-o sem tocá-los”. Caso a águia pousasse sobre seus filhotes, ela os sufocaria.

Na nossa sociedade, todos nós já testemunhamos a tragédia do amor materno transformado em amor sufocante. Existem pais cujo amor esmaga o filho, sufocando qualquer aspecto da sua iniciativa e liberdade, fazendo com que ele se torne inteiramente dependente de seus pais pelo resto da vida.

Há uma velha piada que ilustra bem esse extremo da superproteção: uma mulher salta de uma limusine diante de uma sofisticada loja de departamentos, enquanto o motorista desce para carregar o seu filho de 10 anos no colo. Um homem que passa na rua faz o seguinte comentário: “Puxa, que tragédia, o garoto não pode andar”. A mãe escuta e responde, muito nervosa:” O que o você quer dizer com ‘não pode andar’? Ele pode sim, mas não precisa”.

Para aprender a andar, uma criança precisa cair e se machucar. Depois de muito tentar e após alguns inchaços e contusões, ela finalmente conseguirá se manter em pé e dar um passo. Porém a mãe descrita na piada era incapaz de suportar ver seu filho sofrer. Por isso ela fez de tudo para que jamais precisasse se sustentar sobre seus pés.

Obviamente, todas as mães e pais passam um longo tempo a assistir seus filhos aprendendo a andar. Você vê a criança se erguer, dar um passo e …bum… ela cai e provoca uma horrível mancha roxa na perna. Diante disso, qual sua vontade? Você quer agarrar a criança e lhe dizer: “Não faça isso de novo”! Mas ela só vai aprender a andar se você deixa-la cair.

Pois esta foi a decisão adotada por Deus logo no início da criação. Ele permite que nós caiamos a fim de que possamos aprender a andar. Ele paira sobre nós, protege-nos e não nos sufoca. Ele está ali, dirigindo, guiando, auxiliando, mas não controlando.

Amar alguém significa permitir que aquela pessoa seja ela mesma. O nome para esse aspecto de amor de Deus – a dádiva que Ele concedeu ao ser humano para que possamos ser nós mesmos é livre-arbítrio.

Se a humanidade não tivesse livre-arbítrio, nós ainda estaríamos no Jardim do Éden, porque não teríamos escolhido desobedecer o mandamento Divino. Portanto, nós aprendemos de um dos primeiros relatos bíblicos que as vezes, há coisas que ocorrem no mundo que Deus não quer que venha acontecer, mas que, não obstante, Ele permite que aconteçam. Se Deus interferir o tempo inteiro, Ele estava sufocando e não ajudando.